
Segundo a Allied Market Research, empresa global de inteligência de mercado, consultoria e análise de dados, o mercado global de eventos deve movimentar US$ 2,5 trilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,8%. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil) e do Observatório do Turismo de São Paulo indicam que o setor já responde por cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) de serviços, reunindo mais de 330 mil empresas ativas.
De acordo com o mais recente Radar Econômico, boletim elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o consumo no segmento atingiu R$ 68 bilhões entre janeiro e junho, o maior valor da série histórica, iniciada em janeiro de 2019. Comparado ao mesmo período de 2024, o crescimento acumulado no primeiro semestre é de 3,4%.
A categoria de turismo de negócios e eventos representa 23% da ocupação hoteleira nacional e responde por uma fatia crescente das viagens internacionais, é o que revela o Ministério do Turismo. Dados da Fecomércio SP mostram que de janeiro a setembro de 2025, o setor movimentou R$ 106,5 bilhões, um recorde para o período. Além disso, o segmento fomenta indústrias associadas como transporte aéreo, alimentação, audiovisual e publicidade, consolidando um ecossistema que soma mais de R$ 300 bilhões anuais, conforme o levantamento da Associação de Marketing Promocional (Ampro).
“O consumo no setor de eventos já ultrapassa marcas históricas, o que mostra que não estamos apenas recuperando o que foi perdido na pandemia, mas alcançando um novo patamar. É uma demonstração clara do potencial do entretenimento como motor econômico e social”, afirma Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Abrape.
O especialista em gestão financeira para empresas e fundador da Arvoh, Arides César Gonçalves da Silva, explica que os dados apontam que o segmento não é só entretenimento, mas uma cadeia produtiva global. “Para o Brasil, isso significa: atração de investimentos e turismo internacional, quanto mais o mundo investe em eventos, mais disputado fica o calendário global; efeito multiplicador na cadeia de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), eventos irrigam pequenos negócios; e geração de emprego e renda, o setor costuma ter um impacto forte em emprego formal e informal”.
Para Silva, o segmento saiu da “sobrevivência” e entrou em uma fase de expansão mais estruturada. “Alguns fatores que explicam o aumento do consumo no Brasil são: a normalização pós-pandemia, as pessoas consolidaram o hábito de voltar a eventos presenciais, com maior frequência e tíquete médio mais alto; calendário de grandes eventos e festivais, que atraem público nacional e internacional; renda direcionada para experiências, pesquisas recentes indicam que boa parte dos brasileiros passou a reservar parte do orçamento para experiências presenciais; e políticas de apoio e retomada do setor”.
O especialista acredita que o potencial de crescimento é sustentável, mas não automático. “A expansão do segmento pode ser sustentável, mas exige gestão profissional, tecnologia e ambiente regulatório minimamente previsível. Por exemplo, a continuidade ou transição previsível de projetos como Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), infraestrutura de cidades para receber eventos e capacidade das empresas do segmento de se digitalizarem e se capitalizarem”.
“Eventos não são só entretenimento, são infraestrutura de relacionamento da economia. Se o Brasil combinar ambiente de negócios saudável, políticas estáveis e inteligência financeira na ponta, o setor de eventos ainda tem muito espaço para crescer com qualidade”, finaliza.
Empregos em alta
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados no boletim da Abrape, mostram que o estoque de empregos (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) no core business do setor está 76,3% acima dos níveis de 2019, comparado a 21,9% de crescimento da média nacional no mesmo período.
A função classificada como “Atividades de organização de eventos”, por exemplo, apresentou um salto expressivo no número de trabalhadores formais que passou de 47.262 em 2019 para 109.025 em 2025, o que representa um aumento de 130,7%.



