Impressionante a quantidade de jogadores de futebol que deixam o Brasil todos os anos rumo à novas oportunidades mundo afora. E não só jovens atletas, captados e preparados mais ou menos para a aventura. Veteranos e alguns consagrados também buscam outros caminhos atrás de melhores salários e qualidade de vida mais confortável.
Ao mesmo tempo, aumenta a cada ano o número de jogadores estrangeiros trabalhando no Brasil, em especial vindos dos países vizinhos. Mais do que intercâmbio ou qualquer outra coisa, trata- -se de um grande negócio. Movimenta montanhas de dinheiro e consegue aliviar problemas com impostos.
É o tipo do comércio que faz alegria e riqueza para os empresários, investidores e demais empreendedores do mundo do esporte. Dados oficiais são difíceis de encontrar, o que existe são pesquisas realizadas por alguns institutos ou jornalistas interessados no tema. Dizem que cerca de 5 mil brasileiros jogam futebol de forma profissional em times estrangeiros.
O jornalista Rafael Reis fez um estudo mais apurado e chegou ao número de quase 3 mil brasileiros jogando em times de variadas divisões em mais de 100 países. O destino principal da turma é Portugal. Depois aparecem os mercados emergentes e as ligas tradicionais. O Brasil lidera o ranking mundial de exportador de atletas para o futebol e outros esportes.
A janela de transferência de jogadores do estrangeiro para o Brasil vem funcionando a pleno vapor a cada temporada. No momento, cerca de 151 profissionais atuam nos times que estão disputando nossas competições. Muitos outros vão chegar ao longo do ano. Os países que mais fornecem jogadores para o Brasil são Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador. Alguns vindos de outros lugares estão chegando.
Com toda esta crescente movimentação, a CBF precisou estabelecer algumas regras para as competições nacionais. Cada clube pode incluir no máximo nove atletas na súmula de cada jogo, considerando titulares e reservas. Caso queira, os nove podem ser escalados ao mesmo tempo.
Fora essa informação, não existe limite para contratação de estrangeiros. Cada time pode formar seus elencos com quantos desejar, possibilitando mais opções para aguentar o calendário recheado de eventos. Só não pode registrar mais do que nove gringos na súmula para cada jogo.
Esta regra só vale para as competições nacionais, organizadas pela CBF e suas federações. Tal regra ainda não existe nas competições internacionais de responsabilidade da Conmebol ou Fifa. O Conselho Técnico da CBF mantém estudos aprofundados para avaliar o atual quantitativo de jogadores de outros países em nossos times. O debate para redução é permanente com os clubes e demais especialistas. O grande desafio é o lado financeiro.
A entrada dos estrangeiros, a maioria jovens promessas, outros mais experientes sem grandes oportunidades nos principais times do primeiro mundo, possibilita diminuir os custos. Do outro lado, a venda das chamadas joias gera bom lucro. Aí está o segredo da coisa. O maior problema é a parte técnica. Merece um estudo para analisar se o êxodo de atletas e a entrada de tantos estrangeiros vai melhorar ou deteriorar a qualidade futebol.
Enquanto os especialistas não definem a situação, vamos tocando a bola e observando a movimentação do efervescente sacolão do futebol. E para fechar nosso papo, vem aí as semifinais do Mineiro. Os três da capital e o Pouso Alegre, o Dragão do Sul de Minas. Quem vai para a grande final? Façam suas apostas.



