Rota Bahia-Minas gera negócios para as comunidades

Projeto vem sendo desenvolvido desde 2018 / Foto: Alex Cangussu

Com 350 km de percurso entre as cidades de Araçuaí, Novo Cruzeiro, Ladainha, Poté, Teófilo Otoni e Carlos Chagas, na Região do Jequitinhonha/Mucuri, a Rota Bahia-Minas é uma das maiores propostas de resgate de um antigo trecho de ferrovia desativado para atividades turísticas do país. O caminho reúne edificações históricas, como vilas, capelas, igrejas, estações e fazendas, na transição do bioma da Caatinga para a Mata Atlântica.

O trajeto é considerado intermodal, podendo ser feito por bike, caminhada, moto, carro ou até mesmo a cavalo, e vem sendo desenvolvido pelo Sebrae Minas desde 2018. Ao longo desses anos, foram promovidas capacitações e consultorias sobre design de experiências turísticas, implementação de receptivos, além de ações de inserção no mercado. A Rota Bahia-Minas é o caminho por onde passava a antiga ferrovia, que teve seu encerramento em 1966, e ligava o Sul da Bahia, distrito de Ponta de Areia, em Caravelas, aos vales do Jequitinhonha e Mucuri.

O presidente da Associação de Empreendedores da Rota Turística Bahia-Minas, Wender Márcio, diz que quem percorre a rota vive uma experiência de resgate da simplicidade e da brasilidade que ainda resiste no interior. “Mostramos para as agências o potencial turístico dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Quem visita nossa região encontra diversidade cultural, boas histórias, gastronomia e belezas naturais”.

O analista de negócios do Sebrae Minas, Jeferson Batalha, explica que a Rota se despontou como uma grande oportunidade. “E juntos com outros parceiros, iniciamos as tratativas de desenvolvimento, mapeamento, identificação e capacitação. É um projeto de avanço econômico e está totalmente alinhada ao fortalecimento e desenvolvimento do empreendedorismo. A Bahia-Minas tem gerado empoderamento às pessoas e pertencimento, já que a maioria deles estão no leito da ferrovia, ou eles andaram no trem ou os pais andaram, tendo um vínculo afetivo muito grande”, acrescenta.

Para Batalha, a Bahia-Minas tem um apelo histórico. “A Rota é um grande marco para o território, e quando se encerrou ficou uma sensação de abandono e desprezo. Quando a gente volta, anos depois, a falar desse importante projeto, com sentimento de alegria e estruturação, a população retoma o brilho nos olhos, pois muitas famílias foram criadas com base nessa ferrovia”.

“Hoje, todo esse sentimento está de volta, com o enfoque de sustentabilidade e utilizar algo que estava abandonado para promover saúde e educação patrimonial. Atualmente, estamos trabalhando também nas escolas públicas e na comunidade a ideia de valorização do patrimônio público, para que eles possam contar e perpetuar essas histórias”, finaliza.

Descobrindo os Vales

O roteiro começa em Araçuaí, que abriga a última estação da estrada de ferro, finalizada em 1942. O turista vai encontrar o Museu de Araçuaí, que conta um pouco da história do Vale do Jequitinhonha. No acervo tem objetos e documentos que registram a religiosidade, os usos, costumes e ofícios populares. Do museu, o percurso segue para a estação de Engenheiro Schnoor, onde é possível apreciar trechos de estrada abertos entre as formações rochosas, conhecidas como cortes de pedras.

O próximo destino é o distrito de Queixada, em Novo Cruzeiro, onde são oferecidas iguarias típicas da região, preparadas no fogão de lenha da pensão da Dona Luiza. Já dentro da cidade, o destaque é o tradicional pastel. Em Ladainha, as quedas d’água em meio à Mata Atlântica ajudam a relaxar e renovar as energias. A antiga estação de trem do município foi transformada em um ateliê pelo artista plástico Maelson Nunes.

Já em Poté fica a comunidade de Sucanga, onde está localizada a estação inaugurada em 1927, e que ainda conserva suas características originais. De lá, os visitantes seguem rumo à estação de Valão. Em Pedro Versiani, zona rural de Teófilo Otoni, o turista encontra o Sítio Pé na Roça, sendo possível conhecer a coleção de bicicletas do empreendedor Celso Souza.

No Estado, a rota é finalizada no município de Carlos Chagas, que abriga a comunidade de Francisco Sá. Os turistas são recebidos pelo Grupo Teatral Dramedia, que apresenta a peça “Trilhos de um Destino: A Força do Homem e do Vapor”. O espetáculo é embalado por canções e histórias sobre José Joaquim de Amorim, o construtor responsável pela ferrovia e a Estrada de Ferro Bahia-Minas.

Compartilhe

Em destaque