Rodrigo Pacheco deixa definição sobre sua candidatura para 2026

Com a experiência de quem já viu de tudo na política, o presidente Lula (PT), em sua mais recente passagem por Belo Horizonte, deu um conselho para quem acha que o cenário eleitoral em Minas Gerais está definido: “Quem tem pressa come cru. Ou seja, vou esperar o tempo passar”, afirmou Lula, referindo-se à possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSD) confirmar, em algum momento, sua candidatura ao Governo de Minas Gerais. Apesar dos sinais contrários de Pacheco, Lula ainda acredita que o senador entrará na disputa. No entanto, a definição que pode mudar os rumos do processo no Estado, ficará apenas para 2026.

Mesmo sem se decidir se aceita a empreitada, o senador trava, por ora, o cenário fático de como os pretendentes irão se posicionar na disputa pela cadeira atualmente ocupada por Romeu Zema (Novo). Lula não esconde a preferência por Pacheco. Na visão do presidente, o senador é o único capaz de agregar prefeitos de diversos partidos e eleitores cansados da radicalização. Pacheco é visto como um político de perfil moderado, afeito ao diálogo e avaliado como um parlamentar que fez inúmeras entregas legislativas para o Estado.

Levantamento do think tank More in Common, em parceria com a Quaest, divulgado no mês passado, apontou que a maior parte dos brasileiros está à margem da polarização política e adota tom mais pragmático em relação aos principais temas do cotidiano. Assim, 54% da população não se identifica por adesão aos extremos e é caracterizada como uma “maioria invisível não polarizada”. É nesse eleitorado que os aliados de Pacheco apostam para convencer o senador a entrar na disputa em Minas.

Caso Pacheco não aceite entrar na disputa, Lula avalia a hipótese de conversar com o deputado estadual Tadeu Leite (MDB), atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Também correm por fora os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), a quem apoiou nas eleições de 2022; as prefeitas de Contagem, Marília Campos (PT); e de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT).

O horizonte posto no Estado, até o momento, tem Zema com sua aposta no atual vice-governador, Mateus Simões, que migrou de legenda e lançou sua pré-candidatura pelo PSD, atual partido de Pacheco. Um movimento inusual e bancado por Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla. Em que pese a movimentação ousada, já que o principal nome político da legenda é Pacheco, e a participação mais evidente de Simões em agendas governamentais de Zema, uma das mais recentes pesquisas de intenção de votos em Minas, feita pelo Instituto Real Time Big Data, trouxe o vice-governador com apenas 9% da preferência dos entrevistados, deixando-o ainda sem tracionamento competitivo, na terceira opção, distante dos dois primeiros colocados, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que figurou com 38%, e Alexandre Kalil, com 18% da preferência. O levantamento apontou que 20% dos entrevistados figuram como indecisos.

Por sua vez, Cleitinho ainda não decidiu se arrisca sua popularidade, construída principalmente nas redes sociais, no pleito mineiro de 2026. Um fato preponderante que pesa contra foi o pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro para que ele não seja pré-candidato ao Governo de Minas para não dividir a direita. O filho mais velho de Jair Bolsonaro foi recentemente alçado ao nome do clã que disputará a Presidência da República.

Já o ex-prefeito da capital tem avaliado as opções de se lançar ao Governo de Minas ou ao Senado. Visto como opção por parte do PT, caso Pacheco desista de concorrer, Kalil convive com a desconfiança dos quadros da esquerda e de sua própria convicção na aceitação do apoio do presidente Lula. Vale lembrar que o ex-chefe do Executivo disparou críticas pesadas contra Lula e o PT após ter perdido a eleição ao Governo de Minas, em 2022, ainda no primeiro turno para Zema. Houve um rol de desentendimentos entre ele e os mandatários do PT de Minas.

Outro nome ventilado ao cargo de governador, o ex-vereador Gabriel Azevedo, lançou sua pré-candidatura no início de novembro passado. Ex-presidente da Câmara dos Vereadores da capital mineira, Azevedo disputou e perdeu a eleição de 2024, quando Fuad Noman (PSD) foi reeleito prefeito de Belo Horizonte. Ainda desconhecido pela maioria da população de Minas Gerais, ele teve sua candidatura bancada pelo deputado Newton Cardoso Júnior e pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, dois nomes ligados ao bolsonarismo. Na pesquisa Instituto Real Time Big Data, o ex-vereador figurou com 4% da intenção de votos.

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