
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda média dos trabalhadores informais, no segundo trimestre de 2025, cresceu 6,8%, se comparado com o mesmo período do ano passado.
O mesmo aumento foi registrado para os profissionais autônomos, 5,6%. Já o ganho médio de quem tem carteira assinada foi de 2,3%. A renda média dos formais foi de R$ 3.171; dos autônomos, R$ 2.955; e dos informais, R$ 2.213. Segundo a pesquisa, em 2021, os salários dos trabalhadores CLT superavam os dos autônomos em 25%. Hoje, a distância caiu para 7,3%.
A professora de economia da Una, Vaníria Ferrari, explica que o aumento da renda dos segmentos informais e autônomos significa maior poder de compra e maior consumo. “Isso impulsiona a economia, no entanto, pode acarretar aumento da inflação (de consumo). Por outro lado, se o crescimento da informalidade vier com menos direitos, menos proteção e menor contribuição, isso deve gerar aumento da vulnerabilidade econômica, ou seja, possibilidade de perdas futuras de renda, devido à imprevisibilidade da remuneração, causando desequilíbrios econômicos”.
“Ainda temos que ressaltar a questão previdenciária, menor contribuição, maior risco de sustentabilidade da Previdência Social, consequentemente impactando a aposentadoria. Em 2024, os gastos com Previdência pelo Estado foram de 20,6% do total, só superado pela dívida pública. Dessa forma, se o governo passar a arrecadar menos com a informalidade, o pagamento da aposentadoria corre sérios riscos”, alerta.
Impacto no mercado de trabalho
Vaníria destaca alguns aspectos importantes que podem impactar o mercado de trabalho. “Muitos trabalhadores, ao terem a opção de um trabalho informal ou autônomo, veem melhores possibilidades de ganho, desestimulando o trabalho formal; e essa ‘migração’ para o trabalho informal, desestimulando o vínculo empregatício, pode pressionar os salários para cima, ou mesmo estimular as contratações via Pessoa Jurídica”.
Esse aumento do trabalho informal, com melhores remunerações, gera uma alta da renda agregada, afirma a especialista. “E consequentemente avanço do consumo, o que pode representar crescimento econômico, mas também pode acarretar na alta da inflação; sem falar do impacto na arrecadação de INSS, além da aposentadoria pelo Estado”.
A economista pontua também que a remuneração do trabalho informal, mesmo sendo “mensalmente” maior que o trabalho CLT, possui alguns pontos negativos. “Não possui benefícios como férias, 13º salário, plano de saúde, FGTS; e pode ser ‘imprevisível’, ou seja, não é uma remuneração fixa que o trabalhador recebe todo mês e pode programar financiamentos e projetos. Ele precisa ter mais controle financeiro para suprir meses com ganhos menores”.
Recorde de carteira assinada
Apesar do aumento da distância entre as rendas, o número de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada renovou seu recorde, chegando aos 39,229 milhões, mostrando estabilidade no trimestre encerrado em setembro. Na comparação anual, esse contingente cresceu 2,7% (mais 1 milhão de pessoas). Já o índice de empregados no setor público (12,8 milhões) ficou estável no trimestre e subiu 2,4% (mais 299 mil pessoas) no ano, segundo dados da Pnad Contínua.
“O mercado de trabalho aquecido proporciona uma alteração do perfil das contratações, pois com menor disponibilidade relativa de mão de obra, as contratações somente acontecem com mais benefícios para os trabalhadores, como a carteira assinada”, ressalta o analista da pesquisa, William Kratochwill, por meio de nota.
Já o índice de informalidade foi de 37,8% da população ocupada, ou o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores informais, repetindo os 37,8 % do trimestre móvel anterior. No entanto, esta taxa ficou abaixo dos 38,8% (ou 39,2 milhões de trabalhadores informais) do trimestre encerrado em setembro de 2024.



