A vida funciona em ciclos. Nada é eterno, ainda que seja algo muito bom. É uma pena, mas é assim que a banda toca e no futebol não é diferente. Mesmo aquele time famoso, cheio de craques, tradição, vitórias e conquistas, a situação começa a complicar em determinado momento, ficando pouco confortável e produzindo resultados mais fracos. É o danado do ciclo fechando o cerco e não existe saída. É preciso coragem e competência para iniciar o processo de reformas, sejam pontuais ou radicais. É tempo de começar de novo.
Em Minas, o melhor exemplo é o Cruzeiro. Depois de muitos anos no topo, entrou em queda livre, desabou. Dentro e fora de campo. Teve força e muita sorte ao encontrar novos e bons líderes para iniciar um novo ciclo.
Com profissionais gabaritados, montou um elenco qualificado. Não o melhor, nem o mais caro, mas o mais próximo do equilibrado. Lutou para subir degraus. Hoje está entre os três melhores do Brasil e volta à maior competição internacional da América do Sul. A reformulação que começou lá atrás continua fazendo efeito.
Mudando para o América, a esperança é que seu novo ciclo seja de pleno sucesso. Faz bom tempo que o clube fica rodando, sem sair do lugar. A reforma iniciada agora tem sido radical. Dispensa de dezenas de atletas, manutenção da comissão técnica e ajustes na estrutura.
Com história bonita e importante, o clube precisa realmente experimentar novas rotas. Sua tradição de formador de talentos precisa ser ativada ao grau máximo. Um elenco jovem, cheio de sonhos e energias, com amor pelo clube e necessidade de vencer na vida, com alguns mais experientes para oferecer o tempero ideal.
Quem sabe se estruturando dentro desta filosofia, consiga angariar mais apoiadores em médio prazo, ganhar confiança dos patrocinadores e assim voltar à elite do futebol brasileiro com tranquilidade e segurança.
No Atlético, a coisa é mais complexa. Mudou de ciclo de forma bem radical faz pouco tempo. Deixou de ser apenas um clube esportivo, administrado por voluntários, torcedores apaixonados, mas com dificuldades para sustentar tamanho empreendimento. Foi transformado em empresa, virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Tem donos.
Deram início ao novo ciclo com sonhos elevados. Criaram altas expectativas de belas vitórias e muitas conquistas. Contrataram vários profissionais, alguns mais pela paixão do que pela razão. Construíram uma bela arena multiuso. Na teoria, era o melhor elenco do Brasil. Na prática, ficou bem distante do planejado ou sonhado. Inicia agora uma reforma mais pé no chão. Uma correção de rota no novo ciclo. O custo-benefício está sendo avaliado conforme a realidade da empresa e do mercado.
Com mais experiência e boa dose de humildade, os dirigentes do Atlético, todos grandes empresários, têm plenas condições de conduzir o clube na trilha de um novo e positivo ciclo de conquistas.
No interior de Minas, a reformulação dos principais times é intensa. Alguns se transformaram em SAFs. Os investimentos acontecem na formação de boas comissões técnicas e nos elencos, gramados e locais para treinamentos. Cuidados com a saúde, alimentação, logística e bem-estar dos atletas e, principalmente, o compromisso de pagamento em dia dos salários e demais obrigações precisa ser prioridade. As novidades são muitas. Temos a volta do tradicional URT, a estreia do North, a permanência do Betim e do Itabirito. A presença de times como Uberlândia, Pouso Alegre, Tombense, Democrata de Governador Valadares e Athletic.
Tudo nos leva a crer que o novo ciclo do futebol mineiro será bom, porque possui todos os ingredientes para oferecer bons jogos e muita alegria. O desafio está começando.
E como falamos de ciclos e estamos iniciando mais um, desejamos a todos os nossos amigos, companheiros e leitores um 2026 carregado de energias positivas. Viva a vida.



