
Segundo um levantamento feito pela Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, em conjunto com a plataforma DRG Brasil, entre 2022 e 2024, as hospitalizações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do país. Foram registradas 2.202 internações no período.
Dados recentes mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A especialista em gestão de saúde corporativa e em psicologia clínica, Renata Livramento, ressalta que esse dado acende um alerta vermelho. “Pois, R$ 5,7 milhões é um custo altíssimo, mas sabemos que isso é só a ponta do iceberg. Por trás desses números existe um sofrimento humano gigantesco, famílias impactadas, pessoas que perdem sua capacidade de trabalho. Quando chegamos ao ponto de uma internação, por exemplo, isso significa que o indivíduo não conseguiu acesso ao tratamento adequado antes ou que o quadro já estava bem avançado”.
O TAG é um transtorno de saúde mental, cuja característica principal é uma preocupação excessiva, explica Renata. “E essa apreensão é incontrolável. O paciente fica preocupado a respeito de diversos assuntos, a ponto de prejudicar o seu dia a dia. O transtorno traz uma sensação de descontrole, uma inquietação que não é proporcional à ameaça real que a pessoa está vivendo”.
A profissional pontua que os sintomas psicológicos mais comuns são a preocupação excessiva e problemas de concentração. “Já os físicos são fadiga e um cansaço constante, algumas dificuldades com sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, sudorese e palpitações. Contudo, não necessariamente essas manifestações isoladamente caracterizam um TAG”.
Tratamento
Renata afirma que por ser um transtorno multifatorial, o tratamento também é multimodal e é individualizado, por isso, a importância de um diagnóstico bem feito. “Basicamente se dividem entre psicoterapia, para identificar os padrões de pensamento negativos e distorcidos; a farmacoterapia, em muitos casos é necessário o uso de medicamentos; e mudanças no estilo de vida para ajudar a pessoa a não apenas sair do quadro de transtorno de ansiedade generalizada, mas também não ter reincidência”.
Ela destaca ainda que não tratar corretamente o TAG pode levar a um agravamento da situação. “Essa ansiedade pode se tornar crônica e piorar os sintomas físicos, por exemplo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Pode gerar também outros problemas de saúde mental e prejudicar severamente a qualidade de vida”.
40 anos com TAG
O técnico administrativo, de 53 anos, que prefere não se identificar, diz que ao longo da sua vida sempre teve crises de ansiedade. “Contudo, nunca pensei que fosse progredir e tornar-se algo perigoso, portanto, tem uns 40 anos, aproximadamente, que convivo com o transtorno”.
Cada crise tem o seu grau de gravidade, relata o técnico. “Depende muito do que estou encarando. Uma simples mensagem pode desencadear uma ansiedade profunda, caso não haja resposta. Se for algo que possa me prejudicar, minha mente aumenta esse perigo consideravelmente, fazendo com que todos os cenários sejam desfavoráveis a mim. A dimensão de todo episódio negativo é aumentada pelo cérebro. Daí surge a crise de ansiedade e, posteriormente, a autoproteção fazendo com que eu tome decisões desproporcionais ao problema real”.
“Meu tratamento está apenas começando, já que a última crise afetou terceiros devido à minha reação negativa. Quando recuperei a razão, assumi os erros, porém, o estrago já tinha sido feito. Por isso, resolvi procurar ajuda médica e o diagnóstico inicial foi o transtorno de ansiedade generalizada”, finaliza.



