Projeto usa pedrinhas para apoiar crianças com autismo

Foto: Divulgação

Em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma ação do Projeto CASA (Cultura, Assistência Social e Atividades Esportivas) tem se consolidado como exemplo de impacto social ao utilizar pedrinhas sensoriais artesanais para auxiliar na regulação emocional de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

A proposta surgiu no Polo 20 do projeto, dentro de uma oficina de biscuit, e rapidamente ganhou novos significados. Produzidas pelas próprias participantes, as pedrinhas passaram a ser utilizadas como recurso terapêutico, ajudando no foco e no controle das emoções, especialmente em ambientes com excesso de estímulos.

Conforme explica a coordenadora de projetos do Instituto Ramacrisna, Aline Fauez, a iniciativa nasceu da escuta ativa da comunidade. “Identificamos uma demanda significativa de crianças com autismo e TDAH e buscamos alternativas que pudessem contribuir no dia a dia. A produção de itens sensoriais foi uma forma prática de integrar inclusão à proposta do projeto”.

A ação foi ampliada para outras oficinas e passou a envolver mais participantes, fortalecendo o engajamento coletivo. Segundo Aline, os impactos são percebidos diretamente pelas famílias. “Nosso principal indicador é a escuta contínua. Os relatos mostram melhora no comportamento, no bem-estar e até na interação social das crianças”.

Um desses relatos é o de Rayane Clisma, de 28 anos, que acompanha de perto os efeitos da iniciativa no cotidiano do filho, Alan Gabriel, de 7 anos. “A pedrinha realmente o acalma, é visível a diferença quando ele a utiliza. Um dia esqueceu o objeto em casa e ficou muito mais agitado na escola. Depois disso, a própria coordenação sugeriu que ele tivesse uma pedrinha na mochila. Como mãe, tem sido uma experiência excelente”.

Do ponto de vista clínico, a psicóloga Jéssica Tauane esclarece que o uso de objetos sensoriais é um recurso importante no apoio à regulação emocional. “Pessoas com TEA podem ter maior sensibilidade a estímulos, como texturas. As pedrinhas funcionam como um ponto de foco, ajudando o corpo e a mente a se organizarem melhor e favorecendo a sensação de calma”.

Ela ressalta ainda que o benefício não se limita ao autismo. “Esses recursos também podem ajudar pessoas com ansiedade, reduzindo a tensão, e indivíduos com TDAH, auxiliando na concentração ao canalizar a inquietação. Apesar dos resultados positivos, o uso das pedrinhas deve ser complementar. São ferramentas de apoio que contribuem no dia a dia, mas não substituem o acompanhamento profissional”, pontua.

Para Aline Fauez, o diferencial da iniciativa está na transformação de uma atividade simples em solução concreta. “Quando uma oficina passa a ter também uma função terapêutica, ampliamos o impacto social, fortalecemos vínculos e promovemos pertencimento”.

Sobre a ação realizada pelo Instituto Ramacrisna em parceria com a Prefeitura de Betim, o Projeto CASA oferece atividades gratuitas nas áreas de esporte, cultura e educação. A iniciativa busca promover desenvolvimento social e ampliar oportunidades nas comunidades atendidas. A experiência com as pedrinhas sensoriais mostra que, com escuta e criatividade, ações simples podem gerar mudanças significativas, não apenas para quem participa diretamente, mas também para suas famílias.

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