
O movimento musical da década de 1960, de Belo Horizonte, está inspirando novas histórias com o projeto “Escola Audaz – Memórias do Clube da Esquina nas Escolas”. A iniciativa promove oficinas de formação para professores e atividades que aproximam alunos do 4º ao 9º ano do universo poético e sonoro do lendário Clube da Esquina.
Com 10 escolas públicas de diferentes regiões da capital mineira incluídas, o projeto Escola Audaz tem os professores como multiplicadores e o envolvimento direto das crianças maiores e adolescentes. As oficinas abordam metodologias ativas que integram a música do Clube da Esquina a diferentes áreas do conhecimento, propondo experiências criativas, acessíveis e aplicáveis no cotidiano escolar.
Na iniciativa, os estudantes são convidados a experimentar, através do Palco Show, o contato com o fazer musical, o improviso, as rítmicas e textos das canções, trazendo protagonismo e criando memórias afetivo-musicais potentes. O projeto objetiva a ampliação do repertório estético-cultural infantojuvenil através de metodologias autorais, sensíveis e estimulantes criadas pela especialista em Educação Musical pela UFMG, Bianca Luar.
Além das formações, o programa promove as Caravanas Culturais, que reúnem visitas guiadas ao Museu Clube da Esquina e experiências musicais conduzidas por Bianca Luar e o músico Thiago Nonato. Nessas atividades, os educadores são convidados a refletir sobre a relação entre arte e educação, a potência da escuta sensível e a importância da música como linguagem que estimula a expressão e o vínculo afetivo entre alunos e escola.
A cantora, educadora musical e pesquisadora da cultura da infância, Bianca Luar, destaca que a receptividade dos alunos é algo que a encanta. “A cada caravana é uma surpresa diferente. Conhecer as melodias rítmicas é algo pensado e processual. Através da oficina ‘Corpo tambor’ os textos das canções, que vestem as novas melodias, os guiam de forma afetiva para um encontro com as próprias emoções”.
Bianca afirma que o programa proporciona o entendimento sobre o que faz de fato um compositor, como é criar uma canção, tal qual como surge, e o que são as parcerias. “Vivenciando as práticas, a visita ao museu e conhecendo as histórias através de brincadeiras e muita escuta, eles começam a se apropriar aos pouquinhos daquele repertório. Tudo isso traz uma magia diferente, intencional e consciente”.
“A musicalidade comunicativa, muito explorada nas oficinas de formação, lhes auxiliam fortemente a refletirem e a criarem novas posturas, abordagens e refinamento do olhar para promover novas interfaces com outras áreas de conhecimento como matemática, história, geografia e português”, acrescenta.
Segundo estudo recente, crianças que não têm acesso à diversidade musical falam até 6 mil vocábulos a menos, ressalta a educadora. “E hoje, com a neurociência atuando de forma profunda sob o poder da música no cérebro, podemos confirmar que não há mesmo nenhuma outra atividade/ linguagem humana que acesse tantos tecidos cerebrais ao mesmo tempo como a música”.
O projeto
Instrumentalizar, sensibilizar e formar professores através de oficinas criativas de práticas autorais já era uma ação corriqueira da Bianca Luar. Através disso, em parceria com o Museu do Clube da Esquina, Bianca e Virgínia Câmara criaram juntas uma imersão in loco, com um tour pedagógico, uma formação dos professores e mostra cultural temática dos alunos, o que desenha as três etapas destes projetos.
Logo após, entraram em leis de incentivo e já foram contempladas em editais. Realizaram a primeira edição através da primeira infância e agora, pela segunda vez, com memórias do Clube da Esquina. Esse ano, foram contempladas as escolas municipais: Modesta Cravo, Professor Hilton Rocha, Senador Levindo Coelho, Professor Lourenço de Oliveira, Rui da Costa Val, Santos Dumont, Prefeito Aminthas de Barros e Vicente Guimarães.



