
O Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc Minas, realiza a 27ª edição do Palco Giratório, um dos maiores festivais de artes cênicas da América Latina. Em setembro, cinco cidades irão receber o evento, Montes Claros (8 e 10), Pouso Alegre (13), Almenara (17 e 18), Governador Valadares (18 e 20) e Poços de Caldas (25 a 27). A programação reúne teatro, dança, circo e atividades formativas com acesso gratuito ou a preços populares.
Entre os destaques, está o grupo mineiro Esparrama!, que participa com o espetáculo “Aptá”, também integrado à seleção nacional do festival. A montagem de dança-teatro mescla movimento, palavra e silêncio para abordar os vínculos afetivos entre três gerações: Bernardo; seu filho Manoel, que está dentro do espectro autista; e seu pai, falecido durante o processo de criação do espetáculo.
A gerente de cultura do Sesc Minas, Manuella Abdanur, ressalta que o projeto tem solidez e reconhecimento, o que o coloca no patamar de maior atividade de difusão e intercâmbio das artes cênicas no país. “Assim, a cena cultural enxerga, no Palco Giratório, a oportunidade de alcançar novos públicos, de compartilhar conhecimento e experiência estética com artistas de outras regiões, o que enriquece o trabalho e a trajetória dessas companhias e, obviamente, dá notoriedade ao trabalho que já realizam”.
“O Palco Giratório leva espetáculos, oficinas, debates e intercâmbios para todas as regiões de Minas, especialmente para cidades que não têm acesso regular a programações artísticas de outros estados, rompendo com a concentração nos grandes centros. Em 2025, onze Unidades distribuídas em dez municípios do Estado participam do projeto. Além de descentralizar, o Palco também amplia o acesso”, acrescenta.
Grande público
O circo é o grande homenageado do Palco Giratório 2025 por meio da Escola Pernambucana de Circo, projeto social que tem grande impacto na periferia do Recife, e de Fátima Pontes, líder da companhia há 27 anos. Fátima é referência na arte circense do país, além de atriz, pesquisadora e dramaturga. A edição deste ano teve seu lançamento em Recife, entre os dias 25 e 27 de abril. A programação em Minas começou em agosto nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Sete Lagoas, Santa Luzia e Uberlândia.
Manuella destaca que a presença do público superou a previsão. “Como resultado parcial, já que a partir deste mês o projeto ainda chega ao interior do Estado, nosso recorde foi de quase 5 mil pessoas, o que demonstra como o Palco Giratório vem cativando a população ao longo dos anos. É um público diverso, composto tanto por especialistas quanto por alunos”.
Palco Giratório
O Palco Giratório nasceu em 1998, como uma iniciativa do Sesc inspirada por experiências anteriores de circulação artística, como o projeto Mambembão, que nos anos 1970, promoveu o encontro de grupos de teatro e dança de diferentes regiões do Brasil. Segundo a gerente, desde o início, o projeto se propôs a ir além da simples apresentação de espetáculos. “Sua missão era fomentar o intercâmbio cultural, valorizar as expressões regionais e contribuir para a formação de plateias”.
“Na primeira edição, seis grupos circularam por 20 cidades em sete estados, realizando 39 apresentações. Já no segundo ano, o projeto ampliou seu alcance, chegando a 12 estados. Com ações educativas como oficinas, cursos e encontros entre artistas, o Palco Giratório se consolida como uma das mais importantes plataformas de difusão e fortalecimento das artes cênicas no Brasil, promovendo o diálogo entre diferentes linguagens e territórios culturais”, pontua.
Para o próximo ano estamos planejando crescer ainda mais o projeto tanto em número de ações como de cidades por onde irá passar, afirma Manuella. “Ainda estamos em etapa de planejamento, mas adianto que temos o desejo de retomar a realização do Festival Palco Giratório em Minas Gerais, o que quer dizer que estamos trabalhando para conseguir receber, pelo menos na capital e na região metropolitana de Belo Horizonte, todos os espetáculos selecionados para a circulação nacional”.



