Projeção aponta para movimentação de R$ 55,6 bilhões no varejo mineiro

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O consumo no varejo em Minas Gerais deve crescer acima da média nacional em 2025. De acordo com um estudo elaborado pelo IPC Maps, o setor movimentará cerca de R$ 55,6 bilhões, o que representa uma alta de 12,2% em relação ao ano passado. O desempenho coloca o Estado na segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, e reflete a maior predisposição das famílias mineiras ao consumo, mesmo em um cenário econômico de juros elevados e inflação persistente.

“O varejo em Minas terá desempenho superior ao da média nacional, graças ao papel do Estado no contexto econômico do país, puxando o crescimento da maioria das 22 categorias avaliadas. Enquanto o consumo no Brasil deve crescer em termos reais 3,01%, em Minas essa alta será de 3,37%”, aponta o responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini.

Entre os segmentos de maior destaque, o vestuário confeccionado lidera o consumo, com previsão de movimentar R$ 19,6 bilhões em 2025. Em seguida aparecem os mobiliários e artigos do lar (R$ 12 bilhões), os eletroeletrônicos (R$ 10,4 bilhões) e os calçados (R$ 6,9 bilhões). Categorias como artigos de limpeza devem crescer 11,5% no período, somando R$ 4,2 bilhões, enquanto joias, bijuterias e armarinhos registram expansão de 14,3%, chegando a R$ 1,3 bilhão.

Para Pazzini, essa diversificação no consumo reflete o fortalecimento da renda e do emprego formal. “Com a melhoria da quantidade de trabalhadores com carteira assinada, a propensão ao consumo é maior. As famílias voltam a considerar categorias que ficaram em segundo plano nos últimos anos e até produtos de valor mais alto, devido à recuperação do poder aquisitivo”, comenta.

O pesquisador também lembra que o consumo está concentrado em alguns polos regionais. “Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora e Uberaba são os cinco maiores municípios de Minas e, apesar de estarem em regiões distintas, atraem consumidores de cidades menores ao seu redor. Por isso, são estratégicos para redes varejistas e franquias”.

Dados nacionais

No Brasil, o consumo das famílias deve atingir R$ 8,2 trilhões em 2025, com o varejo alcançando R$ 532,1 bilhões, uma expansão de 11,3% frente ao ano anterior. Entre os setores, o vestuário também lidera, com R$ 182,7 bilhões, seguido por móveis e artigos do lar (R$ 113 bilhões), eletroeletrônicos (R$ 110 bilhões), calçados (R$ 73 bilhões) e artigos de limpeza (R$ 40 bilhões).

Desafios

Apesar da expansão do consumo, o setor convive com obstáculos importantes. As taxas de juros seguem em patamar elevado e a inflação ainda pressiona o orçamento das famílias. O economista Gelton Pinto Coelho Filho avalia que esse cenário afeta principalmente os pequenos empreendedores. “A manutenção dos juros dificulta o crédito e gera um freio de arrumação na economia. Na categoria MEI, muitas iniciativas surgem sem estudos de mercado, o que aumenta o risco de mortalidade precoce dessas empresas”.

Ele ressalta ainda que mesmo com a limitação do crédito, há sinais de recuperação do consumo. “Após um longo período de privação, a retomada de programas sociais e de transferência de renda, como o ‘Minha Casa Minha Vida’, gerou transbordamento de renda. Isso abriu novas possibilidades de negócios e permitiu que as famílias voltassem a consumir, mesmo convivendo com dívidas”.

Perspectivas para o ano

A expectativa é de que o crescimento do consumo siga sustentado pela melhora no mercado de trabalho e por medidas de incentivo à renda. Para o economista, esse movimento pode ganhar ainda mais força caso medidas como a ampliação da isenção tributária para quem recebe até R$ 5 mil por mês. “Pagando menos impostos, maiores possibilidades de consumo surgem. Isso equivale a um décimo terceiro salário dividido ao longo do ano, ampliando a capacidade de compra da população”.

Compartilhe

Em destaque