Profissionalização da arbitragem no futebol

Quando o jogo de futebol termina em campo, um assunto sempre está nas ruas, nos comentaristas de rádios, TVs, jornais e redes sociais: o juiz do jogo errou, o analista do VAR errou, é sempre assim. A arbitragem do futebol brasileiro nos últimos anos está péssima, erros atrás de erros, e o VAR, que foi feito para ajudar, está atrapalhando. Como sempre falo, está “aVARcalhando” o futebol, não sabem fazer linha de impedimento, analisar mão na bola, ou bola na mão, entre outras polêmicas da arbitragem. A adoção de novas tecnologias no esporte, como a do árbitro assistente de vídeo, que tem o objetivo de reduzir a ocorrência de erros humanos no futebol.

Enquanto ferramentas auxiliares não se consolidam, falhas em lances polêmicos e interpretativos seguem pesando na conta dos árbitros brasileiros. A urgência por melhor capacitação de juízes e o estigma que envolve a profissão servem de argumento para que se questione as condições atuais de trabalho da categoria.

A arbitragem de futebol é reconhecida legalmente como profissão no país desde outubro de 2013. Apesar disso, árbitros nacionais não atuam em regime profissional, como acontece em países como Portugal, Inglaterra, Espanha, entre outros, que oferecem salários mensais e bonificações.

Na prática, suas regras de trabalho são definidas na Lei Pelé. Ela define os árbitros como trabalhadores autônomos, sem vínculos empregatícios formais com federações estaduais ou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por exemplo. Sem terem remuneração fixa, os árbitros são escalados para cada partida por sorteio, sendo pagos conforme o número de jogos que apitam.

Os ganhos por partida dependem diretamente do “nível” do juiz. Um árbitro vinculado à Fifa recebe cerca de R$ 8 mil por jogo. Árbitros da CBF, por sua vez, faturam R$ 5 mil por partida trabalhada na Série A. A quantia é proporcionalmente menor para campeonatos de menor expressão e os assistentes recebem cerca de 60% do valor dado aos árbitros.

Na CBF estão registrados cerca de 600 árbitros e assistentes. Caso não sejam sorteados (ou sejam amigos da comissão de arbitragem da CBF), os juízes podem passar até algumas semanas sem apitar.

Por conta desse funcionamento, entidades administrativas não precisam manter responsabilidades trabalhistas ou previdenciárias. Embora existam casos de árbitros que se dediquem apenas ao trabalho dentro das quatro linhas, a maioria segue conciliando a dedicação ao esporte com outras atividades profissionais. Isso seria um dos fatores que limitam o potencial de árbitros e tornam desproporcional a cobrança por rendimento.

No Brasil, duas coisas são fundamentais: profissionalização e fim do sorteio. Isso seria bom não só em relação a salários, mas em ter um tempo integral para o árbitro se preparar melhor para essa função, que é extremamente difícil, complicada e polêmica. O juiz de futebol é figura amadora, solitária, que deve ir atrás de treinamentos e recuperação, tudo por conta própria. Debates sobre técnicas de arbitragem e preparação física são importantes, trabalhar o psicológico, mas poucas federações estaduais apoiam esses trabalhos dos juízes durante o ano.

Para a grande maioria dos juízes, a profissão costuma funcionar como uma espécie de complemento de renda. Após realizarem um curso de capacitação que dura, em média, um ano, árbitros podem pleitear uma vaga nas federações. Cursos desse tipo são oferecidos por sindicatos de árbitros ou pelas próprias federações, o que varia de estado para estado. Se aprovados em testes teóricos, psicológicos e de aptidão física, os juízes ficam à disposição da federação ao qual pertencem. Para fazerem parte do quadro nacional e pleitearem vagas como árbitros Fifa, devem ser indicados pelas federações.

A grande visibilidade do trabalho dos juízes prevê cobranças na mesma proporção. De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, árbitros podem ser suspensos ou até multados por não seguirem as regras oficiais do esporte, omitirem-se em situação de indisciplina entre atletas, ou não comunicar ocorrências nas súmulas ao fim da partida, por exemplo. O que me chama a atenção é que nunca vi notícias que eles foram multados por erros.

A CBF precisa de cerca de 120 árbitros para o Campeonato Brasileiro das Séries A, B, C e D, que devem estar o tempo todo em treinamento. Se um deles comete um erro no final de semana, não adianta que volte para casa e fique 15 dias fora da escala. Isso vai melhorar em que a situação dele? Um árbitro já sabe depois do jogo que errou e que vai ficar fora.

Segundo as pesquisas de especialistas na área administrativa do futebol, a estimativa dos custos anuais para a profissionalização dos serviços de arbitragem no Brasil gira em torno de R$ 65 milhões. O aspecto logístico também foi apontado como entrave para o regime de dedicação exclusiva dos árbitros.

O sistema pode ser chamado de “Arbitrolândia”, onde todos estariam reunidos para fazer os trabalhos? Como seria a legislação, o tempo de serviço, contribuição previdenciária? Então, não é tão simples como as pessoas colocam. Será que iria melhorar a péssima arbitragem em campo e do VAR pelo Brasil?

Enquanto isso, a bola rola e o torcedor continua apaixonado pelo seu clube e, em sua maioria, os árbitros (juízes) continuam péssimos!

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