Com safra estimada em 500 mil quilos de pinhão para este ano, a cidade de Delfim Moreira, no Sul de Minas, é um dos maiores produtores da semente no Estado. O município tem cerca de mil hectares de araucárias, produzindo 60 kg por árvore e com renda anual de R$ 3,5 milhões.
A produção de pinhão tem aliado geração de renda e preservação ambiental nos municípios da Serra da Mantiqueira, também no Sul de Minas. Em Delfim, os produtores trabalham em ações que estimulam o plantio de árvores e que devem aumentar os lucros. Entre esses trabalhos, estão o viveiro de mudas de araucária e a construção de uma unidade de processamento do pinhão, que está em andamento.
A secretária de Agricultura, Joelma Pádua, destaca que o município tem uma produção expressiva. “Esse manejo mantém o ecossistema natural e traz renda para os produtores, e há várias ações em desenvolvimento para o fortalecimento da atividade em Delfim”.
No total, cerca de dois mil produtores realizam a atividade de colheita do pinhão todos os anos no Estado. Segundo dados do Safra Agrícola da Emater-MG para 2024, além de Delfim Moreira (2ª posição), os maiores produtores de pinhão em Minas são: Itamonte (1º lugar/1,2 tonelada), Alagoa (3º lugar/700 mil quilos), Baependi (4º lugar/480 mil quilos) e Marmelópolis (5º lugar/475 mil quilos).
O extensionista da Emater em Delfim Moreira, Túlio César Meirelles, explica que, atualmente, a produção de pinhão ainda não está entre as principais atividades econômicas do Sul de Minas. “No entanto, possui um potencial estratégico crescente, principalmente em áreas de altitude, onde a araucária angustifolia ocorre naturalmente. O pinhão representa uma fonte de renda complementar importante para os agricultores”.
Ele afirma que toda a produção é feita por pequenos produtores. “Atualmente, a Emater orienta cerca de 175 agricultores familiares no município de Delfim Moreira, cadastrados no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPMBio)”.
“Esse número representa não apenas as famílias que coletam e comercializam o pinhão, mas também aquelas que recebem assistência técnica direta da instituição em diferentes etapas do processo: desde o mapeamento de áreas com araucárias, boas práticas de coleta, regularização ambiental, até o apoio na documentação necessária para acesso à política pública”, complementa.
Agregando valor
Segundo Meirelles, há diversas iniciativas em andamento no município para agregar valor ao pinhão. “Promovendo não apenas a valorização econômica da semente, mas também a preservação da araucária e o fortalecimento da identidade cultural local. Essas ações são coordenadas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente”.
- Projeto em parceria com a Embrapa Florestas para desenvolver ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva. Entre os objetivos estão: a criação de uma Unidade Processadora de Pinhão, que possibilitará a produção de farinhas, doces, conservas e outros subprodutos, fomentando a agroindústria familiar, e desenvolvimento de tecnologias e boas práticas para o uso sustentável da semente;
- Festival Gastronômico do Pinhão: O evento valoriza a criatividade de cozinheiros locais, atrai turistas e amplia o consumo da semente na gastronomia regional;
- Mudas Enxertadas de Araucária: A prefeitura, por meio de seu viveiro municipal, realiza a produção e distribuição gratuita de mudas enxertadas, que antecipam o tempo de produção e mantêm a qualidade genética das árvores matrizes;
- Criação da Lei Municipal nº 1.595: A legislação fortalece a identidade ambiental e cultural da cidade e reforça o compromisso com a preservação;
- Associação Araucária: A entidade será fundamental para fomentar o cooperativismo, acessar políticas públicas, ampliar a comercialização de produtos e fortalecer a defesa do bioma da Mata Atlântica.
“Entre outras ações que se complementam, formando um ecossistema de valorização do pinhão, que vai do campo à mesa, da educação à indústria, da preservação à inovação. Delfim Moreira está se tornando referência regional na integração entre cultura, economia e conservação da araucária, com apoio técnico, políticas públicas e participação da sociedade”, finaliza.




