Presépio Colaborativo destaca comunidades ribeirinhas e natureza

Foto: Raquel Braga/Divulgação

A Casa Fiat de Cultura abriu ao público o 11º Presépio Colaborativo, já consolidado como uma das tradições natalinas de Belo Horizonte e destaque do Natal na Praça da Liberdade. Neste ano, a montagem presta tributo às comunidades ribeirinhas do interior do país, cuja vida está intimamente ligada às águas, à floresta e aos ciclos naturais. A curadoria é assinada pelo artista plástico Leo Piló, e a obra, confeccionada com materiais reaproveitados, conta com a colaboração dos visitantes. A entrada é gratuita, com visitação até 6 de janeiro de 2026.

O 11º Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura recria elementos do dia a dia das populações ribeirinhas, que habitam palafitas, utilizam os rios como vias de deslocamento e fonte de subsistência, e preservam tradições ancestrais. No centro da galeria, surge uma espécie de “ilha brasileira”: uma instalação em papelão que reúne moradia, vegetação, barcos, peixes e aves, formando um cenário que representa a convivência constante entre a terra e as águas.

Os personagens clássicos do presépio foram reinterpretados a partir do contexto ribeirinho. José é apresentado como o Caboclo Paraoara, figura que reúne influências indígenas, amazônicas e ribeirinhas, simbolizando força e ancestralidade. Maria é retratada como Santa Maria de Belém do Grão-Pará, em referência às manifestações religiosas e culturais que cercam a família. Já o Menino Jesus aparece na forma de Irin-Magé, representando encanto, renovação e nascimento.

Em torno deles, os Três Reis Magos ganham novas significações. Cada um passa a personificar conhecimentos tradicionais, práticas medicinais e espiritualidades das florestas brasileiras. Em vez de ouro, incenso e mirra, carregam ervas, aromas e alimentos. Acima da cena, o Anjo Pescador, guardião das águas e de quem delas vive, conduz a narrativa, evocando histórias de fé e resistência presentes no cotidiano das comunidades ribeirinhas.

“Neste Presépio, quis celebrar a relação profunda entre o ser humano, a natureza e a espiritualidade. O papelão reciclado se transforma em floresta, palafitas, animais e personagens que habitam essa ‘ilha’ inspirada na mata equatorial. Acredito que a Terra é um grande ente vivo, sempre gerando vida, e cada elemento aqui carrega esse sentido sagrado. É um convite para olharmos para a natureza com reverência e renovarmos nosso vínculo com ela”, explica Leo Piló.

O Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura convida à reflexão sobre a preservação ambiental. O papelão, material presente em grande parte do lixo urbano, assume nova função ao ser transformado em arte. Em um país que gera 82 milhões de toneladas de resíduos anualmente, a instalação estimula o público a reconsiderar seus hábitos, compreender os efeitos de suas escolhas e perceber que, com criatividade e responsabilidade, é possível dar um novo destino ao que normalmente chamamos de lixo.

Toda a cenografia do 11º Presépio Colaborativo foi criada a partir de papelão reciclado, técnica central na obra de Leo Piló. O material passou por etapas de corte, dobra, papietagem, pintura e montagem, adquirindo relevo, textura e profundidade.

Casas em palafitas, raízes, troncos, barcos, peixes de várias espécies, aves ornamentadas, flores e folhagens ganharam forma com a participação do público. Nos meses de outubro e novembro, mais de 700 pessoas, entre crianças, jovens, adultos, famílias e grupos escolares, contribuíram nas oficinas abertas da Casa Fiat de Cultura. Cada participante deixou sua marca ao criar um elemento, transformando o Presépio em um verdadeiro mosaico de colaboração e criatividade coletiva.

“Nesta edição, ao olharmos para as comunidades ribeirinhas, reconhecemos um ensinamento poderoso: a convivência harmoniosa com a natureza. O trabalho do Leo Piló e do público que participou das oficinas transforma esses valores em forma e matéria. Cada peça feita de material reciclado revela a beleza do coletivo e a capacidade que temos de repensar, reduzir e reutilizar. Neste fim de ano, desejo que essa obra inspire em todos nós um olhar mais atento para o que sustenta a vida e para a força silenciosa dos recomeços”, reflete o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo.

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