Prefeito do “sim”, cidade do “não”

Está na média de Belo Horizonte a nova campanha de comunicação da Prefeitura da cidade, a primeira do atual prefeito, onde o tema explorado é “A cidade do sim”. Nela está demonstrada a boa vontade, positivismo e otimismo do chefe do Executivo em relação às diversas atividades e serviços que deveriam ser prestados aos cidadãos. O sim é para a limpeza, sim para o transporte coletivo, sim para a construção civil, sim para a vida urbana, sim para os parques e jardins, sim para a saúde, sim para o meio ambiente e sim para a educação. O prefeito Álvaro Damião tem repetido, em todas as suas manifestações, que a Lagoa da Pampulha será navegável e apropriada para a natação, que poderão ser construídos prédios com mais de 50 andares na cidade, além de outras mensagens afirmativas de desenvolvimento e progresso. Seus desejos já são conhecidos e agora informados através dos veículos de comunicação de massa que chegou a hora da cidade melhorar. Já era tempo.

Acontece que entre os bons desejos do prefeito, e a realidade, existe uma brutal distância que será grande adversária destes projetos. A cidade está suja, lixo espalhado pelas ruas, pichações em todos os lugares, nos imóveis públicos e privados, tombados ou não. Os moradores de rua e o consumo de drogas só aumenta, agora espalhados pela cidade inteira, expondo nossa chaga social e falta de políticas de proteção a eles e aos cidadãos. A segurança pública nunca esteve pior, com crimes de toda ordem, roubos de veículos e motos quebrando todos os recordes até então registrados. Assaltos aos cidadãos, invasão de domicílios, roubo de celulares, agressão às mulheres, homicídios e tantos outros crimes. O atendimento à saúde é um caos, especialmente em épocas de intenso frio ou calor excessivo. A educação, como bem exposto pelos sindicatos da categoria, não recebe investimentos dignos, seja no salário de seus profissionais ou nas instalações adequadas. Sem contar a inexistência de vagas nas creches para crianças de 2 a 6 anos.

O que, na verdade, não é surpresa. Nos últimos 40 anos, Belo Horizonte não tem recebido os investimentos necessários, mínimos para mudar sua realidade e condição de grande metrópole, cidade que já foi um dia, Cidade Jardim. Nossos últimos mandatários municipais e estaduais, por falta de prestígio político ou real interesse na administração pública, deixaram a vida seguir sem intervenções mínimas necessárias às transformações urbanas de BH. O caso de nosso metrô é emblemático. Todas as capitais brasileiras o instalaram e o operam com razoável eficiência. O nosso virou uma triste lenda urbana de uma história lamentável.

Outra grande obra realizada na cidade, o Túnel da Lagoinha, é dos anos 1980, terminada pelo então prefeito Hélio Garcia. Sem esquecer a transformação do corredor da Avenida Antônio Carlos pelo então prefeito Marcio Lacerda. Fora isso, nada. Nenhuma obra, nenhum projeto, nenhuma vontade de realizar, começar mudar a cidade urbanamente, socialmente e economicamente.

Enquanto isso, sim, nossos problemas se multiplicaram.

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