Preço da cesta básica recua em BH, mas ainda pesa para o trabalhador

Tomate apresentou a maior queda no mês – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O custo da cesta básica em Belo Horizonte voltou a cair em setembro e chegou a R$ 739,09, segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG. A redução foi de 0,46% em relação a agosto, marcando o sexto mês consecutivo de queda. No acumulado de 2025, a redução é de 1,20%. Mas em 12 meses, a cesta registra uma alta de 7,36%.

Atualmente, o custo da cesta representa 48,69% do salário mínimo (R$ 1.518), o que significa que quase metade da renda de um trabalhador é consumida apenas com alimentação.

Segundo o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, o aumento acumulado no ano é resultado de fatores climáticos e econômicos que afetaram a produção e o custo de insumos. “Essa elevação no longo prazo é explicada principalmente por aumentos significativos em itens específicos, influenciados por condições climáticas adversas, variações cambiais e pressões na cadeia de suprimentos”.

“O café moído, por exemplo, registrou uma variação de +44,38% em 12 meses, impulsionado por problemas na safra 2024/2025 e valorização do dólar. Outros produtos, como tomate, chã de dentro e óleo de soja, também contribuíram para essa pressão”, acrescenta.

Antunes destaca que os produtos que mais recuaram, tomate (-17,54%) e batata inglesa (-6,12%), são altamente sensíveis à sazonalidade. “Eles são hortaliças dependentes das condições climáticas. Setembro marca uma safra mais abundante, com colheitas favorecidas pelo clima mais estável no Sudeste. Já a manteiga caiu devido à maior produção de leite na primavera, que aumenta a oferta de derivados lácteos”.

Apesar disso, alguns itens seguem em alta, como a banana caturra (5,54%), o óleo de soja (5,20%) e o feijão carioca (5,03%). “Essas elevações refletem a combinação de menor oferta e demanda aquecida, além da expectativa de maior uso de soja para produção de biodiesel”.

Diferenças entre supermercados

Um levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro, em parceria com o aplicativo comOferta, revelou fortes variações de preços entre supermercados e atacarejos da Região Metropolitana de BH.

O arroz Camil 5 kg foi encontrado entre R$ 18,99 e R$ 25,99, uma diferença de 36,8%, e o arroz Tio João 5 kg, entre R$ 26,90 e R$ 38,99, variação de 45%. Já o feijão carioca Galante 1 kg subiu de R$ 7,97 para R$ 9,62, alta de 20,7%, enquanto o óleo de soja Veleiro (900 ml) passou de R$ 7,09 para R$ 8,42, um aumento de 18,8%. O pente de ovos vermelhos com 20 unidades variou 70% entre os estabelecimentos (de R$ 12,90 a R$ 21,99), e a maionese Liza (450g) apresentou variação de 74%, indo de R$ 6,58 a R$ 11,49.

Para o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a principal orientação é pesquisar antes de comprar, já que as diferenças entre marcas e locais são grandes. “Nós encontramos variações superiores a 60% para o mesmo produto em supermercados próximos. É importante que o consumidor pesquise, especialmente em tempos de orçamento apertado. Se não for apegado a marcas, é possível economizar até 90% em alguns itens”, afirma.

O comportamento recente do mercado mostra movimentos opostos, avalia Antunes. “Enquanto o arroz caiu, produtos como feijão, café e óleo de soja voltaram a subir. O arroz teve reduções médias de 8%, mas o feijão carioca, o óleo e o café dispararam. São produtos de primeira necessidade, que continuam pressionando o bolso do consumidor”, ressalta.

Perspectivas para o fim do ano

O Ipead prevê que a cesta básica pode manter a tendência de estabilidade até o fim de 2025, mas alerta que o período de festas e possíveis impactos climáticos ainda podem elevar os preços. “A tendência é de continuidade das reduções moderadas, mas há riscos de alta sazonal. Mesmo com a queda recente, o custo da alimentação ainda compromete quase metade do salário mínimo, um patamar que mostra a erosão do poder de compra e o peso dos alimentos no orçamento familiar”, conclui Antunes.

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