Analistas políticos mineiros avaliam que o pré-lançamento da candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, ocorrido em São Paulo, deveria ter sido realizado em Belo Horizonte. Isso porque daria a conotação de outrora, onde Minas era celeiro dos grandes políticos brasileiros, sendo a última figura o ilustre ex-presidente Tancredo Neves.
Alguns jornalistas ouvidos por nossa reportagem observam que o titular da Cidade Administrativa é desconhecido fora do Estado, sem tempo de rádio e TV e sob críticas dos bolsonaristas. Em suas movimentações iniciais, Zema tenta ganhar projeção com opiniões controversas. Em Brasília, caso não tenha apoio total da direita, já se cogita que Zema poderia abrir mão do projeto eleitoral na peleja de 2026. O chefe do Executivo mineiro foi o primeiro a se inserir na disputa nacional, visando conquistar o Palácio do Planalto.
Sobre o projeto do governador, o deputado estadual Arlen Santiago (Avante) opina que o evento de pré-lançamento obteve o êxito esperado. “Ele tem todos os predicados para ser vitorioso nesse projeto. A seu favor tem a percepção de administrar um Estado no qual a palavra corrupção foi banida. Zema não é um político radical e, outrossim, sempre defende e valoriza quem produz, porque isso turbina a economia, gerando emprego e renda para a população”.
Na avaliação do empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, o governador mineiro possui uma trajetória construída na iniciativa privada e é reputado por sua gestão correta e eficiente no Governo do Estado, com destaque para atração de investimentos e melhorias na infraestrutura. “Reúne todas as qualidades para se tornar um bom presidente do Brasil”, vaticinou Souza e Silva.
Análise de especialistas
Ao ser instado a avaliar a respeito do projeto eleitoral de Romeu Zema, o cientista político Malco Camargos afirma que a candidatura do chefe do Executivo tem alguns desafios a serem superados para se tornar minimamente viável. “O primeiro deles é a falta de um partido político de representação nacional, o que traz dificuldades em relação à formação de alianças e também na captação de recursos necessários para elaboração da campanha”.
“A segunda questão tem a ver com a sucessão em Minas. Seria importante que o governador estivesse liderando as pesquisas de intenção de voto no Estado onde ele é mais conhecido e isso não aconteceu. O terceiro fator é a presença de um candidato mais ligado ao bolsonarismo do que o próprio Zema, que ora se aproxima, ora se afasta, mas não consegue identidade com o grupo que apoia Jair Bolsonaro”, acrescenta.
Relativamente ao assunto, o advogado especializado em direito eleitoral, Mauro Bomfim, sentencia que Romeu Zema, segundo a legislação eleitoral vigente, pode fazer pré-campanha desde que não use os bens e serviços públicos. “Ele tenta se colocar com uma das opções de nome da direita, mas também estão na fila os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior”.
O advogado lembra que o governador realizou o lançamento de sua pré-candidatura em São Paulo. “Ao contrário de Juscelino Kubitschek, que começava por Diamantina, e Itamar Franco, por Juiz de Fora. Vale lembrar que o Partido Novo, com pouca capilaridade, terá que enfrentar poderosas federações como a recém-criada União Progressista”.




