Pesquisa revela queda de 5,9% nas vendas de material escolar

Projeção aponta uma retração de 5,9% / Foto: Freepik.com

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, analisa o período de 2024 a 2026 e aponta retração projetada de 5,9% nas vendas de material escolar neste ano, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%).

Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços do material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressão específica de custos, como papel, logística, insumos importados e câmbio, e reforça o caráter regressivo do gasto educacional.

Itens essenciais e de menor valor unitário, como canetas, lápis e papel sulfite, demonstraram maior resiliência, enquanto produtos de maior desembolso, como cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo, registraram quedas expressivas. O movimento indica substituições, reaproveitamento e postergação de compras, principalmente entre famílias de renda média e baixa, indica a pesquisa.

O presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Cláudio Felisoni, destaca que a volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais desafiador do que em 2025. “O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e altas limitações à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios”.

Já o doutor em economia, Weslley Cantelmo, explica que essa retração é um misto de fatores. “Apesar da inflação mais moderada esse ano, temos um quadro de certo aperto no orçamento das famílias, o que é contínuo, e uma prática de reaproveitamento dos materiais do ano anterior. Isso pode revelar um novo padrão de comportamento. Juntando com os preços dos materiais escolares, um pouco acima da inflação, gera retração do setor”.

Cantelmo acredita também que o endividamento das famílias não é o fator causador desses números. “Até porque, no ano passado, o endividamento também estava muito elevado e o setor expandiu. Os índices de débitos são muito similares, e inclusive em dezembro terminou com proporções mais altas da série histórica. Mas, é uma elevação contínua nos últimos anos e uma tendência estrutural da economia, que não impactam o segmento”.

Orçamento familiar

Um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro revela que os gastos com materiais escolares afetam o orçamento de 88% das famílias brasileiras que têm filhos em idade escolar. Para 52% dos pais e responsáveis, o impacto é considerado grande.

O economista afirma que a tendência é que esse efeito permaneça nesse mesmo patamar para os próximos anos. “Essa é uma questão que tem a ver com outros aspectos estruturais da nossa economia. Por exemplo, temos uma taxa de juros elevadíssima, que tem sido mantida durante um bom período nesses patamares, e isso influência na dinâmica do consumo de modo geral”.

“A renda das famílias não tem uma estimativa de melhora de curto prazo, podendo haver uma perspectiva de avanço em um prazo mais dilatado. A tendência é que continue no mesmo patamar, sob o ponto de vista de maior comprometimento, dependendo de fatores como a própria cadeia de produção”, acrescenta.

Variação de 235%

Conforme o estudo realizado pelo site de Pesquisas Mercado Mineiro, entre os dias 8 a 10 de janeiro de 2026 em Belo Horizonte e região, em 11 estabelecimentos, a diferença de preço do material escolar pode variar 235% de uma loja para outra.

Essa variação foi encontrada na caneta Bic, que pode custar de R$ 1 até R$ 3,35. O valor médio é de R$ 1,72, com variação de 16%, se comparado com ano passado. O apontador com reservatório pode custar de R$ 2,60 até R$ 5,90, variação de 127%, com preço médio de R$ 3,73. E o caderno brochurão de 60 folhas pautado pode custar de R$ 6,90 até R$ 13,90, uma variação de 101%, com valor médio de R$ 9,53.

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