Pesquisa aponta impactos do tarifaço sobre o PIB de R$ 12 a R$ 31 bilhões

A medida pode significar uma perda de 188.707 empregos | Foto: Vosmar Rosa-MPOR

De acordo com um estudo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o impacto das ações tarifárias dos Estados Unidos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil estaria no intervalo de R$ 12 a R$ 31 bilhões (0,1% a 0,26%), a depender do efeito da efetivação das tarifas sobre os demais países e a retaliação da China. A medida ainda pode significar perda de 188.707 empregos e 57 mil ocupações.

A consequência total das tarifas sobre as exportações brasileiras é negativa, com uma redução de US$ 4,2 bilhões no prazo de dois anos. O efeito seria uma queda de US$ 8,8 bilhões nas exportações, parcialmente compensado por ganhos de US$ 4,6 bilhões em função dos demais choques (especialmente a retaliação da China). No saldo, o Brasil sofre prejuízo nas exportações, apesar de benefícios em alguns setores específicos.

Dentre os segmentos mais afetados negativamente destacam-se, sobretudo, os metais ferrosos, produtos químicos, de madeira e minerais, todos apresentando quedas expressivas nas exportações. Outros setores fortemente afetados incluem máquinas e equipamentos, calçados e artefatos de couro, têxteis, vestuário, produtos farmacêuticos e artigos de borracha e plástico.

O estudo prevê ainda que os choques tarifários resultariam em uma queda de 0,14% no PIB global. O comércio mundial também seria prejudicado, reduzido em 3%, equivalente a perdas na ordem de US$ 645 bilhões. Nos Estados Unidos, o PIB sofreria uma redução de 0,43%. Por outro lado, a China enfrentaria uma diminuição de 0,14%, demonstrando o efeito adverso das tarifas sobre sua economia.

O mestre em economia, Heldo Siqueira, acredita que o impacto no PIB, de 0,1% a 0,26%, não é tão expressivo quanto parece. “Tendo em vista que a economia brasileira tem obtido resultados econômicos satisfatórios. Mas, a diminuição da renda geral deve afetar os setores econômicos de demanda final, pois com menor renda, as pessoas deixam de adquirir ou adiam suas compras mais básicas”.

Ele explica que a probabilidade de aumento de preços no mercado interno é baixa. “Pois, haverá excesso de oferta dos produtos que deixarão de ser exportados. O mais provável, caso não haja outros compradores no mercado internacional para as mercadorias que deixarão de ser exportadas, é que esses produtos sejam ofertados no mercado interno havendo uma diminuição de preços em setores específicos”.

O economista afirma que a redução de 188 mil empregos é relevante, porém, a economia brasileira tem condições de absorvê-lo sem muitos problemas. “Esse número equivale à criação de vagas em pouco mais de um mês, como junho deste ano, quando foram geradas 166 mil. Ou seja, apesar de todo o alarde, as medidas não terão um impacto econômico tão significativo”.

Efeito sobre os estados

Segundo a pesquisa, São Paulo apresentaria o resultado mais negativo sobre o PIB, com um efeito total de R$ -2.412 milhões, seguido por Santa Catarina (R$ -1.540 milhões), Minas Gerais (R$ -1.488 milhões), Pará (R$ -1.115 milhões), Rio de Janeiro (R$ -1.091 milhões) e Espírito Santo (R$ -1.087 milhões). Esses valores evidenciam que os estados localizados na região Sudeste sofreram as maiores reduções no indicador avaliado.

Siqueira pontua que para as empresas que tiverem problemas com a queda das vendas, a mitigação pode se dar. “A oferta de crédito pelos bancos públicos para companhias que tenham problema de fluxo de caixa; adiamento do recolhimento de eventuais impostos para essas firmas; e medidas de auxílio aos trabalhadores que possam ser demitidos como fruto da queda das exportações”.

Contudo, o economista destaca que o Brasil já diversificou bastante os destinos de suas exportações em relação aos Estados Unidos. “Em 2000, o país norte-americano representava 24% das exportações brasileiras. Em 2020, este valor chegou a 10%. As iniciativas dos BRICS, as negociações junto ao Mercosul, G20 e outras entidades multilaterais permitem que o Brasil tenha tornado o comércio com os Estados Unidos bem menos relevante que há 30 anos”, finaliza.

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