Palácio das Artes inicia o ano com esculturas de Ricardo Carvão Levy

Exposição ocupa várias galerias / Foto: Arquivo pessoal

A programação de 2026 do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, começa com uma exposição que reúne memória, trajetória e permanente reinvenção. A mostra “Forma, Espaço e Matéria!”, do escultor Ricardo Carvão Levy, ocupa diferentes áreas do complexo cultural até o dia 1º de fevereiro, com entrada gratuita, e integra as comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes.

O retorno do artista ao espaço é carregado de simbolismo. Foi ali que ele realizou momentos decisivos de sua carreira, como a primeira exposição individual, em 1979, e a ocupação pioneira dos jardins internos, em 1998. “É com profunda alegria e emoção que recebo este convite, que carrega um significado muito especial para mim. Esses espaços seguem sendo parte viva da minha história e da minha formação como artista”.

O título da exposição traduz uma pesquisa construída ao longo de décadas. Para Carvão Levy, forma, espaço e matéria são inseparáveis e dialogam de maneira orgânica. “Penso a escultura como uma composição musical, em que as formas ocupam o lugar dos sons. O espaço atua como intervalo ou pausa, essencial para que a obra respire. A harmonia surge do equilíbrio entre forma, espaço e matéria, mas permanece sempre aberta ao imprevisto, ao improviso e à quebra de regras”.

A mostra se espalha por quatro espaços do Palácio das Artes, incluindo a Galeria Aberta Amilcar de Castro, jardins internos, o Passeio Niemeyer e o Café do Palácio. A proposta é ampliar o contato da arte com o público, inclusive aquele que não entrou no local com a intenção de visitar uma exposição. “Quando a escultura ocupa jardins, áreas abertas ou lugares de passagem, deixa de ser destino e vira encontro. Elas não estão ali para serem isoladas, mas para conviver com a arquitetura, com o ritmo urbano e com a vida cotidiana”, revela Ricardo.

Um dos destaques é a instalação “O Último Suspiro da Mata”, composta por esculturas feitas com materiais descartados, aço oxidado e argila expandida. O escultor explica que a obra dialoga diretamente com questões ambientais e com a memória da matéria. “Reaproveitar não é apenas uma questão de sustentabilidade, é um gesto de cuidado, de escuta e de responsabilidade”. Ele relembra ainda o incentivo do também escultor Frans Krajcberg. “Ouvir dele que ali estava ‘a arte do futuro’ me marcou profundamente”.

Ricardo Carvão Levy / Foto: Luiz Maia

Sobre o artista

Nascido em Belém do Pará e radicado em Minas Gerais há mais de seis décadas, Ricardo Carvão Levy reúne influências da paisagem amazônica, das culturas pré-colombianas e da tradição mineira do ferro e da geometria. “Essas referências não se contradizem, elas se somam. Eu me vejo como um artista meio caleidoscópio”, define.

Fiel à ideia de que “não cristalizar é uma norma”, o escultor segue assumindo riscos criativos. “Criar sempre foi um jeito de quebrar limites, inclusive os meus próprios. O que ainda me desafia é não cair na repetição. Variar materiais, técnicas e escalas é uma forma de permanecer em movimento e de manter a arte viva no diálogo com o espaço, a matéria e as pessoas”, finaliza.

Serviço:

Mostra “Forma, Espaço e Matéria!”
Quando: até 1º de fevereiro
Horário: terça à sábado de 9h30 às 21h, e aos domingos de 17h às 21h
Local: Palácio das Artes
Avenida Afonso Pena, 1.537 – Centro

Entrada gratuita

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