País bate recorde e registra mais de 7 milhões de turistas internacionais

Índice representa uma alta de 11,7% / Foto: Tomaz Silva-Agência Brasil

Os visitantes estrangeiros movimentaram R$ 32,5 bilhões (US$ 6,044 bilhões) no Brasil, em despesas como hospedagem, alimentação, transporte, lazer e compras, de janeiro a setembro, conforme dados do Banco Central. O valor é o maior já registrado na série histórica para o período e representa uma alta de 11,7% em relação ao mesmo período de 2024, que detinha a marca de US$ 5,4 bilhões.

No período, o país alcançou exatos 7.099.237 turistas internacionais, volume 45% superior ao do mesmo intervalo do ano passado. Em apenas nove meses, foi ultrapassado o recorde anual anterior, de 2024, quando 6.773.619 visitantes estrangeiros vieram ao Brasil. O desempenho até aqui também supera a meta anual estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027, que previa a chegada de 6,9 milhões de estrangeiros para este ano.

“Não há dúvidas de que o turismo é uma potente atividade econômica. Estamos falando de centenas de milhões de dólares injetados por turistas internacionais em nossa economia a cada mês. O resultado disso é geração de empregos, de renda para o povo brasileiro e de desenvolvimento social para comunidades que têm no turismo sua principal atividade. Colocando o Brasil cada vez com mais espaço nas prateleiras do mercado global e nessa tendência de recordes históricos”, destaca o presidente da Embratur, Marcelo Freixo.

O mestre em economia, Heldo Siqueira, explica que essa movimentação financeira é fruto do aumento do número de turistas. “O maior índice de visitantes foi da Argentina. Suponho que este fato decorre do câmbio argentino ter permanecido relativamente valorizado ao longo do ano, o que torna as viagens ao Brasil mais baratas”.

“São 1,96 milhão de turistas argentinos visitando o país, seguido pelos Estados Unidos, que aparecem com apenas 728 mil. Ou seja, a continuidade da ampliação do turismo depende da expansão da economia argentina, mesmo que a economia americana não apresente resultados positivos ao longo de 2025. Neste sentido, acredito que haja uma relativa saturação que pode fazer os índices de crescimento do setor estabilizarem-se para os próximos anos”, acrescenta.

O aumento de 11,7% é bem expressivo, quando se compara com o crescimento da economia como um todo que deve ficar em 2,4%, afirma o economista. “Em uma situação assim, o normal é que haja uma desaceleração. Isso não significa que o avanço não seja sustentável, mas deve retornar ao patamar de expansão do restante da economia brasileira ou dos países que tem no Brasil seu destino turístico”.

Forte Avanço

Setembro também registrou forte avanço. O mês fechou com receita de US$ 595,6 milhões, salto de 12,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando a entrada de divisas do turismo ficou em US$ 530,3 milhões. Também foi registrado o maior número de chegadas de turistas internacionais da série histórica: 570.934 de visitantes, um aumento de 28,2%.

Empregos no setor

Siqueira ressalta que o turismo representa algo em torno de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), figurando como uma atividade importante para o país. “A maior parte dos trabalhadores têm até o ensino médio, 94,2%, sendo que 14,4%, até o ensino fundamental. O setor é relevante, principalmente para a população que tem menos oportunidades de colocação. Nos 12 meses anteriores a julho de 2025, o país tinha criado 207 mil empregos de carteira assinada. Trata-se de um número bastante expressivo, considerando-se que se trata de uma parte da população de mais baixa renda”, finaliza.

Segundo uma pesquisa do World Travel & Tourism Council (WTTC), o setor de turismo deve gerar 8,3 milhões de empregos até o final de 2025, responsável por quase 8% do total de postos de trabalho do país. A contribuição econômica deve atingir US$ 167,6 bilhões, o equivalente a 7,7% do PIB nacional. Para 2035, o WTTC projeta que o segmento chegará a 9,7 milhões de empregos e quase US$ 199 bilhões de participação no PIB.

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