O VAR e sua interferência no futebol

O futebol brasileiro está em férias, com um calendário apertado de competições para os principais clubes do futebol, nas disputas de Campeonato Estadual, pré-Libertadores, Copa Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Viagens para todos os cantos do extenso Brasil, as equipes não pararam, jogo atrás de jogo, mas o grande vilão foi o VAR. No nosso país que já foi chamado de o “país de chuteiras”, pela paixão dos torcedores e pelas cores do seu time, tem o sistema “aVARcalhando” os jogos. Os juízes dependem dos árbitros do VAR que não sabem medir as linhas de impedimento, entre outros detalhes em pênaltis e cartões vermelhos. E a bola começa a rolar no começo de janeiro de 2026 com os campeonatos estaduais, e muitos jogos em disputas de campeonatos, além da Copa do Mundo, que vai acontecer nos Estados Unidos, Canadá e México.

Pelas pesquisas realizadas, as consultas ao monitor na beira do gramado aumentam 33% e o tempo médio de jogo parado pelo árbitro de vídeo cresce 9%. Veja quais são os árbitros com mais paralisações e mudanças de decisão.

O árbitro de vídeo foi mais intervencionista no Campeonato Brasileiro de 2025. A prova disso é que o número de revisões na beira do gramado e a quantidade de decisões alteradas cresceram de forma expressiva em relação ao ano passado. Ambos os índices atingiram o maior patamar da história da competição. A tecnologia foi implementada pela primeira vez em 2019.

Os juízes foram chamados como nunca à beira do gramado para revisar possíveis erros. Ao todo, foram impressionantes 163 consultas ao vídeo em 2025, superando com folga o antigo recorde de 146 revisões realizadas na ARA (Área de Revisão do VAR) no ano de estreia da tecnologia, em 2019. Houve um aumento de 33% nas consultas ao vídeo na beira do campo em relação ao ano passado.

O crescimento das revisões na ARA teve impacto direto no número de decisões alteradas. Nesta edição, os árbitros corrigiram erros de campo 192 vezes, sendo 147 após consultas na beira do gramado e 45 via ponto eletrônico. Trata-se do maior número já registrado na história do Brasileirão. O recorde anterior era de 2020, com 187 mudanças. No comparativo com 2024, as mudanças de decisão tiveram um salto de 18%.

Outro aspecto relevante no uso da tecnologia é o tempo de jogo parado durante as checagens do árbitro de vídeo. A Comissão de Arbitragem pôde observar um aumento no tempo médio das interrupções provocadas pelo VAR. Em 2025, cada intervenção consumiu uma média de 1 minuto e 40 segundos. Um crescimento de 9% em relação à edição anterior. O dado reforça a tendência de maior interferência do VAR e estabelece, também nesse quesito, o maior tempo médio já registrado em toda a história do Brasileirão.

O lance mais demorado considerando os minutos da revisão foi na derrota do Corinthians por 2 a 1 para o Bahia. Paulo Cesar Zanovelli (juiz) e Rafael Traci (VAR) precisaram de 7 minutos e 53 segundos para validar o gol de Gui Negão e anular o impedimento do atacante na jogada.

Os dados confirmam que houve uma piora em vários indicadores. O que mais me chama a atenção é o aumento de mudanças de decisão. O número é altíssimo, recorde desde a implantação do VAR em 2019. 192 mudanças de decisão em 380 jogos mostram o quanto o sistema é intervencionista no Brasil. Os árbitros se acomodaram em uma zona de conforto, não decidem em campo, transferem a responsabilidade para equipe do VAR e usam a ferramenta como “muleta”. Os árbitros, na maioria das vezes, durante a revisão no monitor à beira do gramado, estão se vendo próximo das jogadas. Isso mostra falta de coragem para tomar decisão.

Um levantamento mostrou que, em maio, o Brasileirão registrava o maior número de idas do árbitro para revisar o lance desde que o VAR foi implementado. Na época, os dados eram referentes até a 9ª rodada da competição.

A Comissão de Árbitros da CBF, com base nas orientações da FIFA, mudou a linha de atuação do VAR. A filosofia original de “Mínima interferência com máximo benefício”, na qual o VAR julgava se tinha ocorrido um erro claro e óbvio, foi substituída por “É ou não é?”, onde o VAR atua como assistente para que a melhor decisão seja tomada, nesse caso, o árbitro central é quem julga e toma a decisão final.

Árbitro com mais paralisações de jogo e mudanças foi o carioca Alex Gomes Stefano, de 37 anos, o juiz que mais precisou interromper uma partida do Campeonato Brasileiro para se comunicar com o árbitro de vídeo. Ao todo, foram 51 paralisações em 21 jogos apitados na competição. O recorde dele foi no jogo entre Grêmio e Fortaleza pela 14ª rodada, com comando de Charly Wendy Straub Deretti na cabine do VAR. Naquela ocasião, o jogo foi paralisado seis vezes para a comunicação entre os dois: todos pelo ponto eletrônico.

Apesar de Alex Gomes Stefano ser um dos árbitros que mais paralisam o jogo, ele alterou suas decisões de campo apenas 10 vezes. No topo do ranking aparece o paranaense Lucas Paulo Torezin, de 42 anos. O recordista absoluto registrou 17 mudanças de decisão em 22 partidas no Brasileirão.

Na goleada do Mirassol por 4 a 1 sobre o Grêmio, pela 4ª rodada, foram três mudanças registradas na partida comandada por ele. Primeiro, validou o gol de Braithwaite após anular um impedimento. Depois, corrigiu um erro de identificação ao confirmar que Edenílson foi o autor da falta. Por fim, anulou um pênalti de Neto Moura em João Pedro após consultar o vídeo.

Árbitro de vídeo com mais paralisações de jogo e mudanças: Eleito melhor árbitro de vídeo do Brasileirão, Caio Max Augusto Vieira foi quem mais solicitou ao juiz de campo que parasse a partida para análise de uma jogada. O potiguar de 43 anos foi quem mais interviu na competição: 53 paralisações em 33 partidas comandadas diretamente da cabine do VAR. Nenhum outro árbitro de vídeo foi tão escalado ou participou de tantas decisões quanto ele ao longo do Campeonato Brasileiro.

Esperamos que o futebol brasileiro seja mais profissional em campo com os árbitros em melhores condições de jogos, usem o apito e a tecnologia do VAR com mais serenidade, não tirem do torcedor a emoção do gol, que às vezes demora minutos para serem comemorados. Não acredito que a CBF, entidade máxima do futebol em nosso país, profissionalize os árbitros, porque é uma situação complexa e de muitos estudos. Vamos em frente, queremos ver gols, belas jogadas, dribles e muita emoção! Desejamos um Feliz Natal e um 2026 de muitos gols, conquistas, vitórias, alegrias, saúde e paz. Abraços!

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