O triathlon (ou triatlo, em português) está crescendo rapidamente. Uma pesquisa recente do jornal Estado de Minas mostrou que o número de triatletas avançou 62,4% no país. As assessorias esportivas abrem novas vagas e clubes já têm lista de espera. O bom desempenho de atletas brasileiros tem contribuído para a divulgação e ampliação do esporte, que combina natação, ciclismo e corrida.
E Belo Horizonte tem, sim, muitos atletas de destaque, que encaram desafios duríssimos, como as provas de Ironman, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e uma maratona de 42 km ao final. Dá para imaginar isso? Outra prova difícil é o 70.3, ou Meio Iron, com percursos de 1,9 km na água, 90 km de bike e 21 km de corrida. Também exige uma preparação física e mental espetacular.
O Triathlon Olímpico tem distâncias mais educadas: 1,5 km de natação, 40 km na bike e 10 km de corrida. Há ainda outras provas com distâncias menores para os iniciantes se acostumarem e aguentarem o tranco. Quem entende do esporte aponta que, para encarar um desafio de triathlon, é necessária uma preparação de 30 semanas.
O médico Paulo Randal e a jornalista Andréa Guimarães são da equipe de triathlon do Minas Tênis Clube. Os treinos na piscina olímpica são realizados três vezes por semana. A corrida e o pedal eles encaixam em outros horários. E tem ainda a academia, para fortalecer a musculatura.
Em setembro, Paulo foi a Nice, na França, disputar o Campeonato Mundial de Ironman. “Em provas assim, você vê gente de todo o mundo, muitos profissionais e torcida. As pessoas ficam empolgadas. Eu fiquei na posição 103 entre 330 competidores, na minha faixa etária. No geral, entre 2.300 atletas, classifiquei em 687. Considero ter conseguido um resultado bem significativo”.
Para chegar lá foram cinco anos desde que Randal começou a treinar para o triathlon. “Já corria e me interessei pelas três modalidades durante a pandemia. Eu pedalava em uma mountain bike. Resolvi fazer um simulado de natação, pedal e corrida. Gostei, comprei uma bike speed e fiz minha primeira prova de triathlon no ‘Capixaba de Ferro’, no Espírito Santo”.
Como todo triatleta, Paulo Randal treina forte, seis ou sete dias por semana, variando pelo menos duas modalidades por dia. A parte nutricional é uma aliada. “Minha alimentação mudou demais. Eu era obeso e perdi 25 quilos com esporte e reeducação alimentar”. Perguntei o que o motiva: “O triathlon me ajudou muito na vida profissional. Em uma competição, você tem que tomar decisões rápidas e acertadas. Isso eu aplico no trabalho também”.
A jornalista Andréa Guimarães é uma triatleta completa e começou cedo. “Na adolescência eu fazia natação, musculação, spinning e corria na esteira, ou seja, já era um tri, só que indoor”. Como ponto positivo da prática do triathlon, Andréa destaca: “É um esporte que, tendo sabedoria e respeito pelo corpo, não te lesiona, porque divide os treinos em vários estímulos, como natação, bicicleta e a corrida”.
Andréa é uma atleta disciplinada e também segue uma rotina forte de treinos. Antes e durante as provas, reforça a alimentação e respeita seus limites. “Me alimento muito bem, sempre com orientação de um nutricionista; tento descansar e dormir bem. Evito eventos sociais e “tacinhas” de vinho. E não forço o meu ritmo. Se estiver cansada, paro, respiro, caminho. Tudo da melhor forma prazerosa e feliz que conseguir. Sem pressão, já basta a vida”.
Em São Paulo, recentemente, Andréa fez o meio Ironman e completou a prova. “O resultado foi muito bom. Fiz o meu melhor tempo na natação e avancei bastante na bike, alegria total”. Para quem planeja entrar para o triathlon, os dois atletas recomendam começar aos poucos, ter disciplina, força de vontade e resiliência. Randal acrescenta: “Não dá para ficar bom em tudo de uma vez, vá com calma e conseguirá. Muitos querem saber: triathlon é um esporte caro? Se quiser gastar muito, tem opção, mas é possível investir pouco e começar de leve, como eu. Uma roupa de borracha, para águas abertas, custa na faixa de R$ 600. Touca e óculos de natação saem a R$ 300. Uma bike speed, de entrada, vale de R$ 3 a 4 mil (pode ser usada). Um tênis de corrida de R$ 400 fecha a conta”. Dito isso, agora é com você! Bora?



