O papo é a Papuda

O presídio da Papuda é a tônica do noticiário nesse começo de semana, disputando espaço na mídia com o presídio de Tremembé. Este último em função de uma minissérie sobre essa penitenciária dos famosos, já a Papuda porque vive a expectativa de se transformar no possível lar do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a ficar recolhido por mais de duas décadas por seus atos nada democráticos.

A série Tremembé retrata a vida de alguns personagens que se tornaram ainda mais famosos por seus crimes, quase todos com requintes de muita crueldade. Para sobreviver e enfrentar o período de pena a cumprir, esses criminosos e criminosas criaram um roteiro que, aliado a outros, serviram de mote para o drama. Alguns já cumpriram suas penas e agora conseguiram levantar um troco ao relatar seus cotidianos dentro dos muros.

O presídio da Papuda é conhecido por esse nome por ter sido construído em uma antiga fazenda cuja proprietária era uma senhora com a doença do bócio que causa inchaço na tireoide, formando um papo no pescoço. Entra em cena pela expectativa da chegada de seu mais importante hóspede. Enquanto isso não acontece, aliados e opositores desse aguardado morador vão fazendo a imagem do local ficar cada vez mais viva e mais próxima.

A senadora Damares Alves (Republicanos) e ministra no governo de Jair Bolsonaro mostrou toda a sua preocupação com as instalações do presídio que irá receber o condenado. Ao lado de alguns amigos políticos, também seguidores do tal “mito”, quis conhecer de perto para onde será levado o guru. Questionou se, em caso de urgência, o atendimento médico seria feito com a rapidez necessária. Observou a localização do presídio e a distância de um hospital mais próximo. Interessante essa preocupação, pois ela não vale só para o amigo da senadora, vale para todos os encarcerados na Papuda.

Ao fazer sua coletiva, ela deveria ter citado essa inquietação em relação à toda população carcerária. Até mesmo o ministro Alexandre de Moraes esteve por lá para ver o andamento das obras para o “puxadinho do mito”. Até provou a comida, que segundo ele, todos terão o mesmo tratamento alimentar, embora, por questões médicas, o ex-presidente tenha que seguir uma dieta. Parece que tudo está sendo preparado dentro do script. O certo é que se Bolsonaro for para o complexo da Papuda, os olhares estarão voltados para o local e depois de algum tempo, quem sabe, os políticos possam dar maior atenção à situação dos apenados no Brasil.

Mas tem que deixar bem claro que preso condenado não vota. Alguns não podem nem ser votados. A Justiça deve também definir a questão das visitas. Visitar Bolsonaro pode ser uma experiência imersiva, um bom treinamento para alguns irem se acostumando com a vida intramuros. Olha que tem gente demais para disputar uma vaga para uma partidinha de truco no quartinho do mito, pode até ser por adesão. A população vai agradecer.

Pitaco 1: Diretor de banco é preso e polícia encontra mais de R$ 1 milhão na casa dele. Ele não confia na instituição que dirige ou é bandido mesmo? Cruzes.

Pitaco 2: Quem frequentava o Palácio da Liberdade nos tempos de Francelino não esquece daquela figura com a camisa do Flamengo e violão na mão. Ficava cantando perto da quadra de futebol do Corpo da Guarda. Jards Macalé foi genro de Francelino e Dona Latife.

Pitaco 3: Só um pensamento bobo, a Faria Lima está ganhando espaço nas páginas policiais? Saudade do Gabi Santos, Ruiter Miranda e Pedro Carrapeta, iam colocar até gravata.

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