A religião é um sistema de crenças, práticas e valores que conecta indivíduos a uma realidade superior ou sagrada, oferecendo sentido à existência e promovendo coesão social. Baseada no dicionário, essa definição não é de difícil entendimento. Porém, hoje em dia há controvérsias.
O Brasil é um Estado laico, não adota uma religião oficial e garante total liberdade de cultos e crenças. Respeita ou deveria respeitar todas as vontades de seu povo. Isso abre um leque de oportunidades para aproveitadores que se agarram na fé das pessoas para conseguir seus bens pessoais.
Em função dessa “brecha”, aumenta-se, consideravelmente, o número de igrejas criadas ao redor de comunidades menos favorecidas pelos benefícios do poder público nas questões sociais. Alguns desses exploradores da fé deixaram de frequentar as páginas policiais como “falsos pastores” para entrar na fantasiosa profissão de influenciadores e políticos, esses estão se tornando os mais perigosos.
A maior prova disso está na Câmara Federal, onde foi criada uma Bancada da Bíblia formada por membros de igrejas evangélicas, com pensamentos de direita e que quase nunca pensam no bem-estar do seu infortunado fiel. Sempre estão na contramão de projetos que beneficiam a população, principalmente aquela de baixa renda. Nem no corte de impostos para os itens da cesta básica estiveram a favor dos indivíduos mais necessitados.
Parece mesmo que a tal Bíblia funciona só para o lado deles. A Bancada da Bíblia legisla a mando de dirigentes maiores, que há muito deixaram a pregação para dedicar aos prazeres mundanos de viagens milionárias, roupas de grife, carros e relógios de marca. E como lutaram, no governo passado, pela isenção do pagamento de impostos pelas igrejas! Foi na mesma época que galgaram os maiores cargos da história política do país.
Hoje, a igreja domina até os campos de futebol. Deus marcou o pênalti, defendeu, fez o gol e venceu o jogo. Quando o resultado foi negativo, Deus não quis. Está na música dominando o mercado e, com a graça do Senhor, com cachês milionários.
Está na economia, dominando o comércio, principalmente aquele voltado para a classe C, mas se tornam empresários classe A com iates, aviões particulares e propriedades. Todo esse sucesso desperta a gula e a “goela larga”, sempre querem mais. O negócio é crescer em parceria com as autoridades, aliança que mistura, de forma estratégica, o desejo de influência nas esferas de poder com a mobilização de fiéis para validar e eleger representantes. Está aí o exemplo do Banco Master. Muita coisa ainda está por vir. O escândalo está apenas no princípio. Tudo começou em uma igreja evangélica, uma das maiores do país, onde seus “administradores” investiram em políticos, criaram um banco, criaram fundos, se envolveram com dinheiro público, furtaram aposentados e ainda continuam soltos.
Isso tudo não é em nome do Senhor, mas em nome de inúmeros senhores. Estão brincando de Deus. Eles acham que são e os fiéis têm certeza disso. Lamentável.
Pitaco 1: Na recente caminhada de um político mineiro ligado à igreja envolvida na confusão do Banco Master, foi possível ver os inúmeros políticos da tal Bancada da Bíblia que se juntaram ao grupo nos quilômetros finais. Tinha de tudo. Deficientes, cadeirantes, churrasco, caminhonetes, helicópteros, ônibus. Uma farra. Só faltou o bezerro de ouro.
Pitaco 2: Irresponsável e inacreditável foi uma senhora que levou o filho ligado a aparelhos para ser “abençoado” pelo Forrest Gump. Mais irresponsável, inacreditável e farsante é que ele abençoou o menino. Cruzes!
Pitaco 3: Assim como no episódio que envolve Moisés e as Tábuas das Leis, a ira divina terminou com a farra através de um raio. Ou será que foi o Thor, filho de Zeus, que entrou em ação? Tem gente falando que a tempestade e o raio foram arranjados. E tem quem acredite!



