Os cidadãos e cidadãs de Belo Horizonte possuem motivos de sobra para questionar as mudanças nos hábitos na contemporaneidade. Hoje o mundo é outro, não somente em tecnologia, mas também no relacionamento humano. De uns tempos para cá, coisas estranhas têm acontecido e, cada vez mais, o grau de violência cresce nas ações das pessoas. Não se dá mais valor à vida do próximo, mesmo que esse próximo seja mais próximo do que pareça. Há algumas semanas, Belo Horizonte acompanhou o drama do desaparecimento de uma professora de um colégio tradicional da capital.
A busca terminou com o encontro do seu corpo abandonado e seminu nas proximidades do município de Esmeraldas. Além da violência da morte, a maior indignação foi a constatação de que o assassinato foi cometido pelo próprio filho, que durante dois dias, fingia buscar informações do paradeiro da mãe junto às autoridades policiais.
Ele, servidor do Governo do Estado de Minas Gerais, usou como motivo de tamanha atrocidade as dívidas acumuladas pelo vício em jogos nas inúmeras bets espalhadas pelo país, empresas que ajudam a sustentar o milionário mercado do futebol. A cidade nem tinha se recuperado do trauma e já começou a semana com o covarde assassinato de um gari que estava a serviço de uma empresa terceirizada no setor de coleta de lixo de Belo Horizonte.
Um “animal bombadão”, ao volante de um carro elétrico, resolveu atirar no gari depois de ameaçar a motorista do caminhão. Atirou, matou e foi para a academia para manter seu corpo torneado pelos aparelhos e quiçá por coquetéis de suplementos. O empresário Renê da Silva Nogueira Junior usou a arma da esposa, delegada de Polícia Civil em Minas Gerais, que não deve ter tido o cuidado de examinar a ficha criminal do seu “amor”.
Ele já tinha sido acusado de homicídio culposo de uma mulher, em acidente de trânsito no Rio de Janeiro, além de envolvimento em crimes de lesão corporal e extorsão. Em Belford Roxo, chegou a ser encaminhado ao Juizado Especial Criminal por agredir uma mulher. Renê se diz cristão e patriota, é sempre assim.
Os dois casos citados independem da ação policial nas ruas. Um aconteceu dentro de casa, quando um filho discute e mata a própria mãe. O outro é a certeza da impunidade. O homem desce do carro, faz uma ameaça, atira e mata um trabalhador, depois deixa o local como se nada tivesse acontecido. Mudou o comportamento das pessoas. O lado ruim de cada um aflorou. Parece que de uns tempos para cá abriram a porta do inferno e saiu de lá algo muito pior do que aquilo que já vivenciávamos. Paira no ar uma nuvem que contamina as pessoas. O pior é que esses seres sempre apresentam o mesmo perfil: patriota, cristão e do bem. Pelo menos na grande maioria das vezes.
Pitaco 1: Continuando o assunto, são alarmantes os dados da violência no trânsito em Minas Gerais. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, entre janeiro e junho, foram 117 casos de brigas e agressões nas cidades mineiras. Os motivos são sempre injustificáveis e banais. Esse número pode ser ainda maior, já que são computados apenas as ações que tiveram boletim de ocorrência registrado.
Pitaco 2: Quando Donald Trump tomou posse, muita gente pensou em retrocesso. Mas acabar com o voto feminino nos Estados Unidos é voltar a idade da pedra e assumir uma ditadura.
Pitaco 3: A Secretaria de Estado de Saúde comprou e repassou às prefeituras um glicosímetro que não foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Zema “não tá nem aí”! Postos de saúde dispõem de insulina, mas falta a seringa. A vida do diabético é dura e não é doce.



