
A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024. Um crescimento de 25% em apenas um ano, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde. É a primeira vez, em quase duas décadas, que o número de fumantes no Brasil aumentou, quebrando uma tendência histórica de queda. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta ainda que um em cada nove adolescentes afirma que usa cigarro eletrônico. A quantidade de usuários jovens já é cinco vezes o total daqueles que fumam o cigarro tradicional.
Segundo o governo, o impacto total do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 153 bilhões por ano, sendo que apenas 5% desse valor é arrecadado em impostos com a venda de cigarros. No país, mais de 174 mil pessoas morrem a cada ano por doenças causadas pelo tabaco, sendo 55 mil por câncer. Já no mundo, são oito milhões de óbitos anuais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O pneumologista da Unimed-BH e presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SMPCT), Daniel Bretas, esclarece que esse aumento tem relação muito expressiva com as estratégias de mercado das indústrias tabagistas. “Seguindo toda essa tendência mundial de fazer dispositivos mais modernos; atrativos visualmente; com odores mais agradáveis; com fumaças mais bonitas, entre aspas; e a utilização de influencers na divulgação. São estratégias parecidas que eram feitas no passado, associadas a glamurização”.
“Por fim, e talvez o mais importante, houve uma mudança do sal de nicotina. O cigarro convencional tem um sal de nicotina que leva uma irritação de via aérea superior, que foi modernizado no cigarro eletrônico, propiciando concentrações muito maiores e uma tendência do organismo de adaptação dessas quantidades tão grandes. Isso eleva o grau de vício que os cigarros eletrônicos têm em relação ao convencional”, complementa.
Para Bretas, a elevação dos índices tem total relação com a entrada do cigarro eletrônico no mercado, não só no Brasil, mas no mundo todo. “A intensidade maior de crescimento de uso é entre as mulheres e estudos mostram que os pacientes que utilizam cigarro eletrônico têm um risco maior de utilizar o cigarro convencional e outras drogas. Podendo ainda funcionar como um degrau para outras formas de fumar até o cigarro convencional”.
Danos à saúde
O especialista ressalta que os principais riscos à saúde associados ao cigarro, de uma forma geral, é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que seria a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. “Além de câncer de pulmão e em outras localidades; acidente vascular cerebral; infarto agudo do miocárdio; e insuficiência vascular periférica, sabemos que as principais causas de amputações não traumáticas têm relação com tabagismo”. Sobre a exposição do tabagismo em crianças e adolescentes, a preocupação é muito grande, afirma o presidente. “Estamos inserindo essa parcela da população a grandes quantidades de nicotina. A nicotina, além de ter um poder de vício enorme, está associada a danos cardiovasculares. E isso traz um risco cada vez maior de ter mais precocemente infarto do coração, e acidente vascular cerebral, que são os derrames”.
Velhos hábitos
O administrador e consultor empresarial, Túlio Diniz, conta que o cigarro acaba virando um hábito diante de algumas situações do dia a dia. “Por exemplo, após almoço. E a principal dificuldade foi quebrar esses velhos hábitos já enraizados. Troquei o cigarro por bala nesses momentos. Superar um vício de mais de 25 anos não foi fácil e até hoje sinto vontade de fumar. A atividade física foi fundamental para essa conquista, pois junto, veio a alimentação saudável, melhora no sono, aumento de performance nos treinos e no trabalho, gerando resultados e satisfação”.
Relacionado ao tema, a SMPCT está organizando uma corrida chamada “O2 Run: Abandone o Tabagismo Correndo”. Será realizada na Lagoa Seca, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, no dia 14 de dezembro. Link de inscrição: tbhesportes.com.br/ o2run/#1727983868380- -2e7f1314-126e.