
A proximidade da convocação final para a Copa do Mundo de 2026 recolocou o atacante Neymar no centro do debate sobre a Seleção Brasileira. Ausente na última Data Fifa, quando o Brasil enfrentou França e Croácia, o jogador viu seu nome ecoar nas arquibancadas, sinal claro de que, mesmo fora de campo, segue como figura no imaginário do torcedor.
A decisão de não convocá-lo, no entanto, passa menos pelo histórico e mais pelas condições atuais. O técnico Carlo Ancelotti tem priorizado atletas com plena capacidade física e ritmo competitivo, fatores que ainda geram dúvidas em relação ao camisa 10.
Para o jornalista Lucas Marques, a pressão popular dificilmente altera esse cenário. “Creio que os gritos pouco influenciam na opinião da comissão técnica. O Ancelotti já deixou claro que a convocação será considerada apenas se Neymar tiver condições físicas para jogar. Enquanto isso, não acho que ele vai ceder à opinião pública”.
A questão física é o principal obstáculo para o retorno. Mesmo reconhecendo a qualidade técnica do jogador, Marques destaca que o nível de exigência de uma Copa do Mundo impõe critérios claros. “Neymar está longe do seu ideal físico, e creio que nunca mais retornará aos 100%. No entanto, para voltar à Seleção, ele precisa demonstrar que consegue atuar os 90 minutos em alto nível. E isso ele ainda não conseguiu no Santos”.
A falta de sequência no clube paulista reforça essa preocupação. Marques acrescenta que as lesões e ausências recentes dificultam uma avaliação mais consistente, o que pesa diretamente em um momento decisivo. “Sem dúvida, a irregularidade pesa. Neymar não tem conseguido atuar com constância no Santos, e isso levanta dúvidas sobre sua capacidade de repetir esse desempenho na Seleção. Essa questão será preponderante para definir se ele vai ou não”.
Ainda assim, o possível retorno do atacante levanta discussões relevantes do ponto de vista tático. Em um elenco que conta com velocidade e profundidade pelos lados, falta um jogador com características de criação central, função exercida pelo camisa 10. “É necessário ver qual Neymar iria. Minimamente bem fisicamente, agregaria bastante, até porque, na função de meia de criação, não temos um jogador com essa característica. Além disso, ele poderia aliviar a pressão sobre os demais. No entanto, com o estado atual, não acho que ajudaria tanto assim”, avalia Marques.
A experiência também entra na equação. Em competições de tiro curto, como a Copa do Mundo, a capacidade de decisão em momentos críticos costuma fazer diferença. “Creio que a presença dele seria importante. Em momentos de pressão, ele pode ser um jogador que vai pôr a bola debaixo do braço e resolver. Contra a Croácia na última Copa, ele demonstrou isso, apesar da eliminação”, finaliza.
Redes sociais
Fora das quatro linhas, o debate ganha força nas redes sociais. Levantamento da pesquisadora de marketing digital da FGV, Lilian Carvalho, em parceria com a Polis Consulting, analisou mais de 47 mil menções sobre a ausência do jogador. Os dados indicam que 66% das publicações tiveram tom neutro, 24% foram negativas e 10% positivas.
“Vale destacar que 3% dos posts citaram de forma literal o termo ‘queria’. Parece que o amor pelo ‘menino Ney’ não acabou, e ainda existe uma parcela significativa da torcida que apoia a convocação de Neymar para a Copa de 2026, mas o astro já não desperta a mesma unanimidade de outros tempos”, afirma.