Museu da História da Inquisição: todos devem conhecer!

São 479 os museus na capital, segundo o Portal Oficial de Belo Horizonte, o que é um número pra lá de razoável e para todos os gostos. Os principais são o Mineiro, o das Minas e do Metal, de Arte da Pampulha (MAP), do Conhecimento UFMG, de Ciências Naturais, a Casa Kubitschek (na orla da Pampulha), de Artes e Ofícios (na praça da Estação), do Brinquedo, de História Abílio Barreto, Brasileiro do Futebol (no Mineirão) e o da Inquisição.

Com vídeo institucional, palestra da historiadora Neusa Fernandes, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e do Rio de Janeiro (IHGRJ), distinções e apresentação da belíssima e famosa Banda Serfadista, com notável show, e coquetel, o Museu da História da Inquisição foi reinaugurado no dia 31 de março com a presença da diretoria do IHGMG e autoridades, e reabriu nesse 1º de abril, depois de passar por modernização e ampliação substancial. A reinauguração em 31 de março reveste-se de importância histórica porque marca o término da inquisição luso-brasileira e honra a memória das vítimas da Inquisição pela Câmara Municipal de BH.

A Inquisição Portuguesa (Tribunal do Santo Ofício) começou em 23 de maio de 1536 no reinado de Dom João III (1502/1557), “O Piedoso”, com aprovação e apoio do Papa Paulo III (1468/1549), por meio da bula “Cum ad nihil magis”. Lamentavelmente, a Inquisição em Portugal se deu para cumprir um pedido do rei Dom Manuel I (1469/1521) em 1515, por ter se casado em segundas núpcias com a infanta Maria de Aragão e Castela (1482/1517), tendo que cumprir o pacto matrimonial, no que consistia a instalação da Inquisição em Portugal nos moldes espanhóis e romanos: garantir a pureza da fé Católica e converter os judeus ao catolicismo. A partir dessa união se iniciou uma ligação dinástica e política das mais profundas entre Portugal e Espanha.

Possuidor de riquíssimo acervo da época da inquisição luso-brasileira, o Museu da História da Inquisição foi fundado em 2012 pelo engenheiro Marcelo Miranda Guimarães, um dos nossos maiores incentivadores da cultura e da história, e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG).

O Museu disponibiliza imponente acervo histórico, cultural e educacional que nos permite o resgate da memória de nossos ancestrais. Possibilita também pesquisar a origem dos sobrenomes familiares de modo interativo, e possui biblioteca com cerca de mil livros sobre o assunto, e livros e documentos originais do século 15 ao 19 da mais alta importância.

Um dos objetivos do destacado Museu é mostrar a presença dos cristãos-novos, um dos primeiros colonizadores do Brasil e de Minas Gerais, e que foram fundamentais no período do ciclo do Ouro do século 18. Pode-se ainda conhecer nomes dos condenados pelos Tribunais do Santo Ofício da Inquisição, o que nos leva a refletir sobre a seriedade do combate à intolerância, seja ela qual for, notadamente a religiosa. A história da Inquisição é contada por meio de painéis, gravuras e pinturas de artistas como o pintor espanhol Francisco Goya; pode-se “viajar no tempo” com objetos e réplicas de equipamentos de tortura em tamanho real como o Polé, o Potro e o Garrote.

Localizado na rua Cândido Naves, 55, no Bairro Ouro Preto, a cada dia o Museu da História da Inquisição (filiado ao Instituto Brasileiro de Museus – Ibram), o mais notável do Brasil sobre essa devassa, tem recebido milhares de visitantes, inclusive autoridades brasileiras e estrangeiras. Agendamentos pelo e-mail: contato@museudainquisicao.org.br; sítio: www.museudainquisicao. org.br; fone: (31) 2512-5194. As visitas poderão ser realizadas de terça a sexta-feira, de 9h às 16h, e domingos, de 9h às 15h. Vale e muito uma visita!

Ao refletirmos com seriedade sobre a intolerância, desejamos-lhes uma feliz Páscoa!

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