Mulheres sofrem mais com a síndrome das pernas inquietas

Diagnóstico é um desafio – Foto: Freepik.com

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Caracterizada pela necessidade irresistível de movimentar as pernas, principalmente durante o repouso ou à noite, a enfermidade pode trazer impactos significativos para a qualidade de vida dos pacientes.

Embora possa afetar qualquer pessoa, estudos indicam que a síndrome é mais frequente em mulheres, sobretudo naquelas que passaram por múltiplas gestações e em pessoas com mais de 40 anos. O desconforto costuma se intensificar à noite, prejudicando o sono e resultando em consequências como fadiga diurna, alterações de humor e dificuldades cognitivas.

“É uma doença que pode ser primária, ligada a fatores genéticos e transmissão familiar, ou secundária, associada a patologias como deficiência de ferro e diabetes. Ela prejudica extremamente a qualidade do sono dessas pacientes, diminuindo a capacidade intelectual e aumentando a fadiga durante o dia”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Entre as causas associadas à síndrome das pernas inquietas estão condições como artrite reumatoide, insuficiência renal, diabetes e algumas doenças neurológicas. A relação com distúrbios do sono é um dos pontos mais preocupantes, já que a privação do descanso adequado pode comprometer atividades cotidianas, produtividade no trabalho e até a saúde mental.

De acordo com Rezende, os principais fatores de risco são a deficiência de ferro e a gravidez. “Cerca de 20% a 25% das mulheres apresentam sintomas durante a gestação, principalmente no terceiro trimestre. A menstruação reduz a concentração de ferro no organismo, tornando as mulheres mais vulneráveis à síndrome”.

O diagnóstico ainda é um desafio, pois muitos confundem os sintomas com cãibras, má circulação ou simples nervosismo. Segundo Rezende, identificar os sinais de alerta é essencial para evitar a progressão e buscar tratamento adequado com um especialista. “Não existe um sinal de alerta específico. O que deve ser levado em conta é que, se o paciente não relatar a sensação de pernas inquietas, dificilmente o médico perguntará. Muitas vezes, o profissional trata o distúrbio do sono, mas não investiga a causa real”.

O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos mais leves, recomenda-se investir em estratégias não farmacológicas, como massagens, alongamentos, exercícios aeróbicos e higiene do sono. Já para situações moderadas a graves, podem ser prescritos medicamentos de uso contínuo ou em períodos específicos.

“Os principais tratamentos hoje incluem a pregabalina, medicamentos antiparkinsonianos e a reposição de ferro. Em casos muito refratários, até opioides podem ser usados para tentar melhorar a qualidade do sono. Além disso, terapias também podem auxiliar”, detalha o reumatologista.

Apesar de a ciência avançar, o especialista afirma que ainda não existem grandes novidades no campo da síndrome das pernas inquietas. O diagnóstico continua sendo clínico, dependendo do relato do paciente, e o tratamento apresenta bons resultados em cerca de dois terços dos casos. “A importância de procurar um especialista é fundamental. Reumatologistas e neurologistas clínicos são os profissionais mais indicados para diagnosticar e tratar a síndrome, ajudando os pacientes a recuperar qualidade de vida”, finaliza.

Compartilhe

Em destaque