Mulheres são quase metade dos apostadores no Brasil

Foto: Freepik.com

As mulheres deixaram de ser coadjuvantes no mercado de apostas esportivas no Brasil. Hoje, elas representam 47% do público que aposta em esportes, segundo um levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com a Fulltrader Sports. Em alguns nichos, a participação feminina já ultrapassa a masculina. Esse movimento tem mudado o perfil de consumo e exigido novas estratégias de comunicação das plataformas.

Na avaliação do cientista de dados Ricardo Santos, a entrada das mulheres está transformando a dinâmica do setor. “O público feminino tem um padrão de decisão mais racional e estratégico, o que influencia inclusive os algoritmos de recomendação. São perfis menos impulsivos e mais conectados com dados de performance”.

O fenômeno acompanha uma tendência mais ampla de diversificação. Se antes o mercado era dominado por homens jovens, agora cresce a presença de diferentes faixas etárias e classes sociais, impulsionada pela regulamentação do setor, pelas campanhas de marketing e pela oferta de conteúdos educativos.

Esse comportamento também reflete diretamente nas plataformas digitais. “Percebemos uma migração de perfis curiosos para apostadores mais estratégicos. As empresas estão investindo em usabilidade, dados em tempo real e funcionalidades que atendem tanto ao iniciante quanto ao usuário avançado”, explica Santos.

Apesar do crescimento, o cientista de dados faz um alerta. “Hoje, cada clique, tempo de permanência e preferência de aposta vira dado. As plataformas que sabem utilizar essas informações saem na frente ao oferecer experiências personalizadas que fidelizam o usuário”.

Dez meses de regulação

O avanço da participação feminina ocorre em paralelo a um momento de consolidação do setor no Brasil, que está regulamentado desde o início do ano. Nesse período, 78 operadores já foram licenciados para atuar no país, com 17,7 milhões de apostadores registrados e mais de 15 mil sites ilegais bloqueados, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

Para a indústria, esse processo representa uma mudança estrutural. O Team Manager LATAM da Games Global, Giuseppe Barbanera, observa que os mercados regulados são centrais para a credibilidade do setor. “No Brasil, vemos avanços rápidos em áreas como compliance e proteção ao jogador. O bloqueio de sites não licenciados e a maior transparência na relação com os operadores são conquistas importantes tanto para a indústria quanto para o consumidor final”.

Ele acrescenta que a regulação é fundamental para a sustentabilidade do mercado. “É um passo significativo para o crescimento sustentável do iGaming no Brasil, pois oferece aos jogadores um ambiente seguro e transparente, onde podem se divertir de forma responsável. Isso gera confiança na indústria e estabelece a base para um desenvolvimento contínuo e para a inovação”, avalia.

Barbanera aponta que o público brasileiro busca experiências próximas da sua realidade. “Jogos como Carnaval Drums ou jackpots temáticos, como o Carnaval Fortuna, mostram como a personalização influencia na aceitação e fidelização. Ao mesmo tempo, formatos globais como o FlyX tiveram rápida adesão, o que revela o equilíbrio entre inovação internacional e identidade cultural”, finaliza.

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