Ao longo de décadas, era comum ouvir nos meandros públicos a respeito da importância de uma convivência harmônica entre o Governo do Estado e o Poder Central. Essa realidade termina sempre em uma atuação mais consequente nos investimentos do governo federal e Minas Gerais, avaliado por todos os títulos como um Estado síntese do país. Mas, os resultados positivos dessa simbiose de boa política de vizinhança entre os dois entes já não acontecem na realidade de hoje, com prejuízo para ambos os lados.
Em verdade, o que está em evidência em Minas e no Brasil é um indesejado viés ideológico entre direita e esquerda, provocando desentendimentos constantes. Isso termina por distanciar a concretização de concepções estruturantes, advindas da ausência de parcerias entre Brasília e Minas Gerais. Basta ver que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já veio diversas vezes ao Estado para anunciar planos e investimentos, mas, por questões meramente políticas, nunca conta com a presença do governador Romeu Zema (Novo) no seu palanque.
Como não poderia deixar de ser, Lula e Zema têm as suas ambições peculiares. Se não é possível harmonia no tangente à política, roga-se pela civilidade do convívio institucional para que Minas não seja prejudicada como está ocorrendo. Até porque, as verbas vindas de Brasília fariam muito bem ao povo mineiro. No momento, é impossível nutrir expectativas positivas sobre essa realidade.
O diálogo deve sempre prevalecer e quem sabe ainda não podemos pensar na chance de uma atuação nas raízes da diplomacia. Mesmo porque, as intenções relacionadas à peleja de 2026 e a vaidade dos homens sempre passam, mas o Estado e as pessoas continuam testemunhando uma comunidade ordeira, digna e trabalhadora. Não é imperativo assistir a essa disputa, em detrimento das necessidades e anseios de nossa gente.
No regime democrático, é inconcebível esse tipo de comportamento. Por parte do governador do Estado, pede-se parcimônia, porque apenas fustigar o presidente da República não garante permear resultados positivos para incrementar mais ajuda para levar avante os projetos estruturantes de Minas. É hora de baixar as armas e caminhar para um debate mais franco, ao invés desse projeto político/eleitoral exacerbado.



