Minas lidera uso do Fampe e soma R$ 5,4 bilhões em crédito liberado

Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), uma das principais ferramentas de acesso ao crédito para pequenos empreendedores no Brasil, celebra 30 anos em 2025. Ao longo dessas três décadas de atuação, o Fampe já viabilizou mais de 655 mil operações de crédito no país, totalizando R$ 36,03 bilhões em financiamentos e R$ 26,46 bilhões em garantias concedidas.

De janeiro a maio deste ano, Minas Gerais registrou R$ 409,6 milhões em crédito liberado por meio do fundo, com 6.543 operações, totalizando R$ 296 milhões em garantias. Desde a criação do Fampe, Minas já contabiliza 114.297 contratos, somando R$ 5,45 bilhões em crédito financiado e beneficiando 86.966 empresas, representando 17,4% de todas as operações nacionais.

“Minas Gerais teve um papel de destaque em 2025, concentrando 25% de todas as operações com garantia do Fampe realizadas no país. Esse resultado é reflexo da forte atuação do Sebrae Minas junto às instituições financeiras parceiras, em especial as cooperativas de crédito, que têm ampla presença no estado e proximidade com os pequenos negócios”, afirma Rogério Corgosinho, gerente de Desenvolvimento Territorial e Serviços Financeiros do Sebrae Minas.

O Fampe atua como avalista junto às instituições financeiras, viabilizando crédito para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas, empresas de pequeno porte e pequenas agroindústrias, sem a exigência de garantias reais. Isso permite a inclusão financeira especialmente em municípios menores, onde a presença bancária tradicional é limitada.

Corgosinho explica que o fundo concede o acesso ao crédito para empreendedores que, muitas vezes, não possuem garantias reais ou histórico bancário suficiente para conseguir financiamento. “Ao reduzir o risco para as instituições financeiras, o Fampe democratiza o acesso a recursos e contribui diretamente para a geração de renda nos pequenos negócios, especialmente onde o sistema bancário convencional tem baixa presença”.

Mesmo com os bons resultados, o gerente aponta desafios a serem superados. “Muitos empreendedores ainda desconhecem o Fampe e suas vantagens. Além disso, uma gestão financeira pouco estruturada dificulta o uso estratégico do crédito e impacta na análise das instituições financeiras. Para ampliar o alcance do programa seria importante criar ações integradas com prefeituras e instituições locais, especialmente em regiões menos atendidas”, avalia.

Fampe Mulheres

Uma das novidades recentes é a modalidade Fampe Mulheres, que permite garantir até 100% do valor financiado por empresárias, destaca Corgosinho. Em Minas Gerais, essa linha já movimentou mais de R$ 1,1 milhão. “Ela foi estruturada para atender às necessidades específicas das micro e pequenas empresárias, oferecendo condições diferenciadas e facilitando o acesso ao crédito”.

Um exemplo é a empreendedora Jéssica Sousa, da cidade de São Bento Abade, que é uma das beneficiadas. “Consegui o recurso de forma rápida e sem burocracia por meio da cooperativa de crédito. Pouco tempo depois, recebi o contato de um consultor do Sebrae que me ajudou a organizar melhor a gestão da empresa. Com o crédito, reformamos a padaria e ampliamos o atendimento com um espaço de empório”, relata.

Outras ações

Além do acesso ao crédito, Corgosinho lembra que o Sebrae oferece acompanhamento por meio do programa Crédito Assistido, que fornece orientações técnicas e práticas para garantir o uso eficiente dos recursos. “Na prática, o empreendedor recebe orientações e ferramentas para a gestão dos recursos financeiros, planejamento estratégico e melhoria dos processos. Isso aumenta as chances de sucesso, reduz os riscos e fortalece o crescimento do negócio”.

Para potencializar os resultados do programa, o Sebrae Minas também lançou uma jornada de acompanhamento gratuita, que será expandida para todo o Estado a partir de agosto. A iniciativa inclui diagnóstico financeiro, plano de ação personalizado e orientações práticas. Além disso, uma jornada de pré-crédito também está em desenvolvimento.

“Essa nova etapa prepara o empreendedor antes da liberação do recurso, fortalecendo sua capacidade de planejamento e gestão. Com isso, promovemos maior segurança na aplicação do crédito, reduzimos riscos e ampliamos o impacto positivo do Fampe”, finaliza Corgosinho.

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