Minas Gerais espera cerca de 3 milhões de pessoas no período de festas juninas

Foto: Acervo Belotur

O Estado está promovendo o maior circuito de festas juninas de sua história: o Minas Junina 2025. Segundo informações do governo, mais de 400 cidades mineiras estão envolvidas nas comemorações. A programação teve início no dia 7 de maio, com a divulgação das festividades, e seguirá até o dia 30 de junho. A estimativa é de que os festejos atraiam cerca de 3 milhões de visitantes em todo o Estado, gerando uma movimentação econômica superior a R$ 20 milhões.

A proposta surge como uma iniciativa para valorizar e promover as festas populares e tradicionais que acontecem durante o período junino em Minas Gerais. Com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), o programa busca integrar as manifestações culturais e turísticas do Estado, promovendo a diversidade e a riqueza cultural mineira.

Em Belo Horizonte, o Arraiá da Liberdade, realizado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS) e sediado nos jardins do Palácio da Liberdade, será nos dias 27, 28 e 29 de junho, o espaço que simboliza a conexão entre a capital e o interior do Estado. Grupos de quadrilha, congos, catopês e outras manifestações culturais de diversas regiões mineiras irão se apresentar no local, celebrando as festas juninas como momentos de fé, encontro, expressão artística e identidade mineira.

O especialista em turismo, Frederico da Costa, destaca a importância de políticas públicas que reconheçam o valor das festas tradicionais para as comunidades locais. “As festas juninas atraem milhares de pessoas para diversas cidades mineiras e já existem no nosso Estado alguns eventos que são muito tradicionais, como o Festival de Quadrilhas do Vale do Jequitinhonha, o Forró do Regaço, em Pavão, a Festa de Santo Antônio de Roças Grande, em Sabará, e a Festa do Divino em Diamantina. Lançar um novo olhar para essas celebrações é reconhecer a importância delas para as comunidades, para a geração de emprego e renda, e do legado cultural que elas preservam”.

Ao promover as festas juninas como atrativos turísticos, o projeto contribui para o desenvolvimento econômico local e para a preservação do Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, garantindo que as tradições e manifestações culturais sejam transmitidas às futuras gerações. Além disso, a iniciativa estimula o turismo regional, atraindo visitantes interessados em vivenciar as tradições culturais de Minas Gerais.

Ainda na avaliação de Costa, a consolidação do Estado como um destino turístico para a temporada de frio, destaca-se pela manifestação da cultura popular que une elementos indígenas, negros e da cozinha mineira. “Em terras mineiras, temos características muito próprias nessa junção da fogueira, dos povos originários, da cultura negra e dessa cozinha estritamente híbrida”, afirma.

O projeto pode ter um impacto significativo nas comunidades locais, promovendo a inclusão social, o fortalecimento dos vínculos comunitários e o desenvolvimento sustentável, ressalta o especialista em turismo. “Ao apoiar as festas tradicionais, o programa contribui para a valorização das culturas locais, incentivando a participação ativa da população na organização e realização dos eventos. Além disso, o projeto estimula a economia criativa, impulsionando setores como a gastronomia, o artesanato e o comércio local”.

Para o produtor cultural, Rafael Lacerda, as festas juninas também cumprem um papel social e educativo relevante. “Muitas delas são organizadas por escolas, igrejas e comunidades locais, incentivando a participação ativa de crianças, jovens, adultos e idosos. Esse envolvimento fortalece os vínculos comunitários, promove o trabalho coletivo e incentiva o sentimento de pertencimento”.

Em regiões mais vulneráveis, as celebrações oferecem uma alternativa positiva de lazer, contribuindo para a ocupação segura do espaço público e para a prevenção da violência. “Eventos escolares e comunitários ligados às festas juninas servem como ferramentas pedagógicas que integram disciplinas como história, arte, geografia e literatura, ao mesmo tempo em que estimulam a transmissão oral de saberes populares”, conclui.

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