
O Estado de Minas Gerais voltou a se destacar no cenário internacional ao ser apontado como um dos destinos gastronômicos mais relevantes do mundo para 2026 pela revista Condé Nast Traveler, referência global em turismo e lifestyle. Na lista publicada, a culinária mineira aparece ao lado de tradições reconhecidas internacionalmente, presentes em países como Espanha, Grécia, Canadá, Austrália, Marrocos e Hong Kong.
A menção reforça o prestígio da cozinha de Minas, conhecida pelo preparo artesanal, pelo uso de ingredientes locais, como o Queijo Minas Artesanal e o café, e pela relação estreita entre comida, identidade cultural, acolhimento e território. A publicação também chama atenção para experiências gastronômicas ligadas ao enoturismo e aos roteiros turísticos do estado, destacando áreas como o Serro e a Cordilheira do Espinhaço, onde tradição, paisagem e sabores se complementam.
Na matéria, Minas Gerais é descrita como uma joia ainda pouco conhecida do turismo internacional. A Condé Nast Traveler destaca a preservação das tradições culinárias transmitidas entre gerações, os conhecimentos populares, o patrimônio arquitetônico e a riqueza cultural que influenciam diretamente a formação da identidade gastronômica do Estado.
Para o agente de viagens, Vicente Brandão, a menção tem peso significativo. “A Condé Nast Traveler não trabalha apenas com tendências passageiras, mas com destinos que oferecem experiências genuínas. Quando Minas Gerais aparece nesse tipo de ranking, isso funciona como um selo de qualidade internacional, capaz de influenciar viajantes de alto poder aquisitivo, operadores de turismo e também investidores”, afirma.
Além da culinária tradicional, a publicação ressalta a diversidade de experiências gastronômicas distribuídas pelo território mineiro, incluindo rotas turísticas, vinícolas emergentes e regiões onde paisagem, cultura e sabores se encontram. “Minas não oferece apenas um prato ou uma cidade, mas um conjunto de experiências espalhadas pelo Estado, o que estimula o turismo regional e prolonga a permanência do visitante”.
Belo Horizonte recebe menção especial ao ser apontada como uma capital que “vem se transformando discretamente em um destino imperdível”, impulsionada pela forte cultura dos bares, traçada em paralelo com o fenômeno da bistronomia em Paris.
A reportagem também ressalta o papel de uma nova geração de chefs na releitura dos pratos tradicionais, o crescimento de espaços como o Mercado Novo e a revitalização de antigos mercados, hoje transformados em locais de convivência, gastronomia e expressão cultural, fortalecendo a posição da capital mineira no cenário da gastronomia contemporânea.
A chef Mariana Lopes diz que esse reconhecimento internacional contribui diretamente para a valorização da culinária mineira dentro do próprio país. “Quando um veículo estrangeiro de prestígio aponta Minas como referência gastronômica, isso reforça o orgulho local e ajuda a combater a ideia de que a alta gastronomia está restrita a grandes centros internacionais. A cozinha mineira mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas”.
Restaurantes, produtores artesanais, mercados, festivais e eventos ligados à culinária passam a integrar o roteiro de viajantes interessados em experiências autênticas, segundo Mariana. “Esse tipo de turista costuma gastar mais, permanecer mais tempo no destino e buscar contato direto com a cultura local, o que gera benefícios econômicos importantes”.
Outro reflexo positivo é a valorização dos produtores locais. O destaque dado a ingredientes como queijos, cafés e produtos artesanais contribui para ampliar mercados, estimular certificações de origem e fortalecer cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar. “A gastronomia funciona como uma vitrine, quando Minas é reconhecida globalmente, o produtor do interior também ganha visibilidade e novas oportunidades”, ressalta.
Brandão explica que o desafio agora é transformar o reconhecimento em estratégia de longo prazo. Investimentos em qualificação, infraestrutura turística, promoção internacional e preservação cultural são considerados fundamentais para sustentar esse crescimento. “Não se trata apenas de um prêmio simbólico, mas de uma chance concreta de posicionar Minas Gerais como um dos grandes destinos gastronômicos do mundo, valorizando sua cultura, gerando renda e fortalecendo sua imagem global”.



