Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Minas Gerais atingiu um índice de alfabetização de 72,07% entre os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Esse resultado coloca Minas na liderança da região Sudeste e na terceira posição no ranking nacional.
O Estado ultrapassou a meta nacional de 63,2%, ficando atrás somente do Ceará (85,31%) e de Goiás (72,74%). E também se destacou por eliminar completamente o índice de alunos no nível mais baixo de proficiência, além de aumentar a proporção de estudantes nos níveis considerados adequados e avançados.
Em 2023, Minas Gerais estava em sétimo lugar no ranking nacional, com 59,81% das crianças alfabetizadas. O aumento de 12,26 pontos percentuais em comparação ao ano anterior foi o mais expressivo entre todos os estados do país. Além disso, a taxa de participação, que chegou a 88,85%, contribui para a credibilidade e representatividade dos resultados obtidos.
No panorama regional, Minas Gerais também se sobressaiu. Com 72,07% de alunos alfabetizados, o Estado ocupa a primeira colocação no Sudeste, à frente do Espírito Santo (71,69%), de São Paulo (58,13%) e do Rio de Janeiro (55,25%).
A pedagoga Beatriz Lima destaca que “a adesão total de Minas ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) foi um passo decisivo. Com 100% dos municípios envolvidos e material pedagógico elaborado em rede, foi possível alinhar metodologias e acelerar a alfabetização”.
Ela diz que o esforço contínuo nas formações de professores, com webinários, plataforma formativa e Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), criou uma base sólida. “Minas investiu em infraestrutura: ‘cantinhos de leitura’, kits para docentes e feedback constante das avaliações potencializaram o aprendizado. O uso do Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (Simave), sistema de avaliação próprio, alinhado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), permitiu um diagnóstico preciso e ágil. A cada aplicação, gestores e professores podem traçar planos de intervenção imediatos, reduzindo defasagens conforme surgem”, salienta.
Para a coordenadora pedagógica Alessandra Diniz, o aumento da taxa de alfabetização traz vantagens concretas como equidade educacional. “Ao zerar índices de proficiência crítica e elevar níveis recomendados e avançados, a rede escolar mineira diminui disparidades e desigualdades internas. A alfabetização precoce também está correlacionada com melhor desempenho nas séries seguintes, mais qualificação e, a médio prazo, maior produtividade por aluno”.
Embora o desempenho seja animador, há espaço para melhorias, como uma formação continuada intensiva, avalia Alessandra. “Não basta formar uma vez, é preciso manter ciclos regulares de formação, com acompanhamento e supervisão técnica constante. Além da expansão de tecnologias educativas, plataformas interativas e leitura digital podem acelerar ganhos, especialmente nas áreas mais isoladas”.
O foco em práticas investigativas, com a combinação de leitura, escrita, troca entre pares e projetos coletivos torna as crianças mais engajadas e leitores autônomos. Para 2025, a meta nacional do CNCA é atingir 64%, rumo ao objetivo de 80% até 2030.
Beatriz ressalta que “a integração das redes municipal e estadual, via Regime de Colaboração, facilita intervenções regionais em áreas com menor desempenho”, e sugere que a utilização mais intensa de tecnologias e avaliação formativa “reduzirá o tempo de recomposição dos alunos que ainda não estão no patamar ideal”.




