Julho reforça a posição de Minas Gerais como um dos destinos turísticos mais procurados do país. Segundo dados do Observatório do Turismo, compilados pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), a expectativa é de que mais de 4 milhões de visitantes passem pelo Estado neste mês, um aumento superior a 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As estatísticas indicam um crescimento consistente em todos os indicadores do setor. A previsão é que o total de pousos e decolagens ultrapasse 13 mil operações, o que representa um avanço aproximado de 11,5% em relação a julho de 2024. No caso dos aeroportos de Minas Gerais, o número de passageiros internacionais deve chegar a 70 mil, registrando um aumento de 26% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
A ocupação dos meios de hospedagem se aproxima dos 80%, sinalizando a retomada sólida do setor hoteleiro. Esse desempenho reflete o impacto positivo dos eventos culturais, do turismo rural e da valorização do patrimônio histórico.
Segundo a turismóloga, Ana Carolina Costa, a projeção otimista se baseia em dados de fluxo hoteleiro, movimentação nas rodovias, vendas de pacotes turísticos e eventos culturais programados para o mês, tradicionalmente marcado pelas férias escolares.
“Além disso, o clima ameno e as festas típicas de inverno contribuem para atrair turistas de todas as partes do país. O mineiro sempre soube receber bem, mas agora, com mais visibilidade, o que era uma virtude virou ativo econômico. O visitante encontra em cidades como Tiradentes, Ouro Preto, Diamantina e São João del-Rei uma experiência completa, que une história viva, culinária premiada e um clima de interior que encanta”.
O incremento na programação cultural tem papel fundamental nesse cenário. Festivais de inverno, como os de Ouro Preto, Itabira e Congonhas, oferecem apresentações musicais, exposições de arte, oficinas e feiras de artesanato, atraindo públicos diversos.
Para o agente de viagens, Vicente Brandão, “Minas está aproveitando de forma muito estratégica seus diferenciais: é um Estado com identidade própria, muitas regiões autossuficientes em atrativos turísticos e um povo que enxerga no turista uma oportunidade, não um transtorno”.
Ele ressalta que o crescimento do fluxo turístico é uma oportunidade para o Estado ampliar políticas de inclusão produtiva e fomentar o empreendedorismo em áreas historicamente menos favorecidas. “O turismo pode ser, cada vez mais, uma porta de entrada para o desenvolvimento regional sustentável”.
“A diversificação dos roteiros turísticos, para além das cidades históricas, incluindo destinos de ecoturismo e turismo rural em regiões como Serra da Canastra, Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata, assim como a valorização de eventos culturais locais, como festivais gastronômicos, festas religiosas e manifestações folclóricas, que ajudam a fixar a identidade mineira como diferencial competitivo são estratégias importantes”, destaca Brandão.
Ana Carolina salienta o incentivo à formalização e capacitação de profissionais do setor, garantindo que a qualidade no atendimento acompanhe o crescimento da demanda. “A tendência é que o turismo em Minas continue em expansão se for tratado como política pública estruturante. O Estado não vende apenas paisagens, vende afeto, memória e autenticidade, mas, para que essa ‘marca’ permaneça forte, é preciso investir em experiências de qualidade, acessibilidade e sustentabilidade”.




