
Segundo relatório da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o Estado registrou 35.239 novas empresas no 1º trimestre de 2026, alta de 9,97% em relação a 2025. Em março, foram 12.843 aberturas, crescimento de 40,18%, com média de 414 empresas por dia.
A região Central liderou o período (16.178 registros), seguida por Sul de Minas (4.254) e Triângulo Mineiro (3.621). Depois aparecem Zona da Mata (2.792), Vale do Rio Doce (2.118), Centro-Oeste (2.050), Norte (1.534), Alto Paranaíba (1.301), Jequitinhonha (774) e Noroeste (616).
No primeiro trimestre do ano, o segmento de serviços apresentou o maior avanço, com crescimento de 12,56% e a abertura de 26.883 novos empreendimentos. A indústria registrou alta de 6,03% e a criação de 1.530 negócios. Já o comércio mostrou expansão mais moderada, com aumento de 1,65% e 6.825 novas formalizações no período.
Belo Horizonte liderou o trimestre com 9.538 novas empresas, alta de 10,51% em relação a 2025, e 3.479 registros em março, crescimento de 36,32%. Em seguida aparecem Uberlândia (2.103), Contagem (1.188), Juiz de Fora (937) e Betim (667).
Para a economista Mariana Torres, esse movimento está diretamente ligado à combinação de fatores estruturais e conjunturais. “Minas Gerais vem colhendo resultados de políticas de simplificação de abertura de empresas, somadas ao avanço da digitalização dos processos públicos. Além disso, há um efeito pós-pandemia ainda em curso, em que muitos trabalhadores migraram para o empreendedorismo por necessidade ou oportunidade. O ambiente de juros mais estáveis também contribui para dar alguma previsibilidade ao investimento inicial”.
Ela destaca ainda o papel da modernização administrativa. “A redução da burocracia, especialmente com integração de sistemas entre órgãos estaduais e municipais, tem sido determinante. Hoje, abrir uma empresa em Minas é significativamente mais rápido do que há cinco anos. Isso reduz custos de entrada e estimula pequenos empreendedores a formalizarem seus negócios”.
Os benefícios desse crescimento são amplos para a economia mineira, ressalta Mariana. “O aumento no número de empresas formalizadas tende a ampliar a geração de empregos, elevar a arrecadação tributária e estimular cadeias produtivas locais. Além disso, a maior diversidade de negócios fortalece o ecossistema de inovação e aumenta a competitividade entre setores. Em regiões mais dinâmicas, como a Central e o Triângulo Mineiro, o impacto é ainda mais perceptível na circulação de renda e no fortalecimento do comércio local”.
Apesar do cenário positivo, empreender em Minas Gerais ainda apresenta desafios relevantes. Entre os principais entraves estão o acesso ao crédito, a complexidade tributária e a necessidade de capacitação técnica para gestão de negócios. O consultor em empreendedorismo, Carlos Menezes, aponta que muitos empreendedores iniciam suas atividades sem planejamento adequado. “Existe uma euforia inicial, mas também uma taxa de mortalidade elevada entre pequenas empresas. Falta educação financeira e apoio mais consistente nos primeiros anos de operação”.
Outro ponto sensível é a desigualdade regional. Enquanto a capital e grandes centros concentram infraestrutura e serviços de apoio ao empreendedor, regiões mais afastadas ainda enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia, crédito e redes de negócios.
Para ampliar e sustentar o avanço na abertura de empresas, Menezes sugere uma combinação de medidas. “Dentre elas estão a ampliação de programas de capacitação empreendedora, incentivos fiscais direcionados a micro e pequenas empresas, além da expansão de plataformas digitais integradas que simplifiquem ainda mais o processo de formalização. Também se destaca a importância de políticas de crédito mais acessíveis, especialmente para negócios iniciantes”.
No campo das políticas públicas, o consultor defende maior articulação entre governo, instituições financeiras e entidades de apoio ao empreendedorismo. “A ideia é criar um ambiente mais favorável não apenas para a abertura de empresas, mas também para sua sobrevivência e crescimento ao longo do tempo”.