
As exportações de Minas Gerais totalizaram US$ 41,4 bilhões no acumulado de 2025, um aumento de 6,4% frente ao mesmo período de 2024, e as importações somaram US$ 17 bilhões, resultando em um superávit de US$ 24,4 bilhões, segundo a Fundação João Pinheiro (FJP). O Estado respondeu por 13% das vendas internacionais brasileiras e se manteve como o terceiro maior exportador do país.
Nos 11 primeiros meses de 2025, as importações representaram um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, sendo o quinto maior importador do Brasil com 6,5% das compras internacionais. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o fluxo comercial mineiro somou US$ 58,4 bilhões, o terceiro maior do país, e superando em 7,2% o montante do ano passado.
“Em todo o ano de 2024, as exportações mineiras somaram cerca de US$ 42 bilhões, o que já foi um salto significativo para o Estado. E os números mostram que, novamente, devemos quebrar um recorde na série histórica. Isso reforça que as políticas do Governo de Minas para o comércio exterior estão sendo efetivas e que os produtos mineiros, mais do que nunca, estão alcançando o mundo”, ressalta a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa.
O economista titular do Conselho Regional de Minas Gerais, Gelton Pinto Coelho Filho, explica que há duas questões importantes e fundamentais para entender o sucesso das exportações mineiras, mesmo com a crise deflagrada pelo governo norte-americano. “O financiamento vultoso da produção, feita pelo governo federal, e anos de trabalho de empresas, como a Embrapa, que junto com o empresariado agroexportador têm avançado muito em tecnologias e utilização adequada da terra. O financiamento e as pesquisas diminuem substancialmente o risco do negócio e permitem melhor alocação dos insumos produtivos”.
Filho salienta que os impactos do tarifaço foram diferentes por setor, mas significativamente menores do que havia sido projetado. “Individualmente, enquanto o café teve avanço, o aço, por exemplo, teve muitas perdas. O número final não pode ser vendido como sucesso, se vários setores tiveram prejuízos”.
Dados de novembro
No mês de novembro, Minas Gerais foi o segundo maior exportador brasileiro, tendo participação de 13,8% no comércio internacional do país, atrás de São Paulo, com 20,2%. Cerca de 60% da pauta mineira de exportações foi representada pelo café e minério de ferro. O café teve participação de 30,4% e aumentou 22% em valor, com queda de 19,1% em volume. O minério de ferro, que representou 28,2%, apresentou acréscimo de 32,6% em valor e de 15,9% em volume.
Os principais destinos das exportações foram a China e a Alemanha. A participação da China foi de 25,1% em novembro de 2024, aumentou para 33,3% em novembro deste ano. A participação da Alemanha cresceu de 5,1% para 6,6% no mesmo período. A dos Estados Unidos, por outro lado, recuou de 13,9% para 6,5% em razão da retração em vários produtos. Hoje, o país está em terceiro lugar no ranking dos destinos.
Projeções para 2026
“Não poderíamos imaginar um momento melhor, mesmo com crises e instabilidades internacionais graves. A partir de janeiro, grande parte dos cidadãos não pagará imposto de renda e, tendo a propensão baixa à poupança, essa população irá consumir com mais vigor. Do ponto de vista externo, o financiamento das atividades produtivas vai proporcionar segurança para a manutenção do plantio, produção e exportação”, destaca o economista.
Porém, Filho afirma que Minas vive um completo desmonte logístico. “Faltam investimentos em ferrovias, estradas e transporte público de massa. Enquanto o Governo do Estado abriu mão de R$ 111 bilhões em renúncias fiscais e isenções tributárias, a dívida pública explodiu, passando dos R$ 200 bilhões, e a população não recebeu o mínimo de atenção em termos de recursos públicos. O funcionalismo, que com seus salários sustentam muitas cidades do interior, acumulam perdas que, em alguns casos, chega a ser superior a 40% dos proventos”, finaliza.



