
Apenas em 2025, mais de 56 mil brasileiros passaram a atuar como microempreendedores individuais (MEIs) no ramo de serviços ambulantes de alimentação, o que representa um avanço de 45% em relação a dois anos atrás. Em 2023, o total de registros foi de 38,8 mil, subindo para 42,8 mil em 2024. As informações são da base da plataforma DataSebrae.
Minas Gerais concentra quase 10% desse total de novos microempreendedores individuais. No Estado, foram contabilizadas 4.508 formalizações de MEIs na categoria de comércio ambulante de alimentos em 2025. Os meses com maior número de registros foram janeiro, fevereiro e novembro. O aumento nas formalizações coincide com períodos festivos, tanto no cenário nacional quanto em Minas Gerais, como o Carnaval. A movimentação superior a R$ 1,4 bilhão na economia de BH no período contou com contribuição significativa dos vendedores ambulantes.
A consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, avalia que a formalização por meio do MEI representa uma mudança estrutural para milhares de trabalhadores que antes atuavam na informalidade. Ela explica que o registro como microempreendedor garante acesso a diversos benefícios. “Ao se formalizar, o ambulante passa a ter CNPJ, pode emitir nota fiscal, acessar linhas de crédito com juros mais baixos e contribuir para a Previdência Social. Isso significa mais segurança para o negócio e para a família”.
Além da proteção social, que inclui aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, o enquadramento como MEI também facilita a participação em eventos organizados pelo poder público. “Em cidades como Belo Horizonte, a regularização é frequentemente exigida para o credenciamento de vendedores em grandes festas. O Carnaval da capital mineira, que nos últimos anos consolidou-se como um dos maiores do país, exemplifica esse movimento. Milhares de foliões ocupam as ruas a cada edição, ampliando o consumo de alimentos e bebidas e gerando oportunidades para quem trabalha de forma itinerante”, destaca.
Com a simplicidade para ingressar ou se desligar do regime formal por meio do MEI no Brasil, é frequente a ocorrência de muitas aberturas e encerramentos de registros, conforme aponta o Sebrae. Ainda assim, Minas Gerais apresentou estabilidade no número de microempreendedores individuais ativos após o término do último ano. Entre os 4.508 CNPJs registrados no período, 2.711 foram encerrados, o que resultou em um saldo positivo de 1.797 novas empresas.
O economista Rafael Campos ressalta que os 4,5 mil novos registros em Minas Gerais têm impacto que vai além do número absoluto. “Estamos falando de milhares de famílias inseridas de maneira mais estruturada na economia. Cada ambulante compra insumos, contrata ajudantes temporários e movimenta fornecedores locais. É um ciclo que começa na rua, mas se espalha por toda a cadeia produtiva”.
Esse efeito multiplicador é percebido sobretudo em períodos festivos, o resultado é um fortalecimento da economia circular, conceito que descreve a manutenção dos recursos em uso pelo maior tempo possível dentro de uma mesma região.
Segundo Campos, a formalização contribui para organizar esse fluxo econômico. “Quando o ambulante se torna MEI, passa a registrar suas compras e vendas, cria histórico financeiro e pode planejar melhor o negócio. Isso traz previsibilidade e estimula reinvestimentos. Parte do lucro obtido no Carnaval, por exemplo, costuma ser aplicada na melhoria de equipamentos ou na ampliação do cardápio”.
Os dados de 2025 reforçam uma tendência observada nos últimos anos: a busca por autonomia profissional aliada à segurança jurídica. Muitos trabalhadores veem no empreendedorismo uma alternativa diante das oscilações do mercado formal de trabalho. Para Mariana, o desafio agora é garantir capacitação contínua. “Formalizar é o primeiro passo. Depois, é preciso investir em gestão, controle de estoque, precificação e atendimento ao cliente”.



