
Entre julho e setembro, o mercado imobiliário brasileiro registrou 108,8 mil unidades lançadas, elevando o total do ano para 307,4 mil, aumento de 8,4% em relação aos primeiros nove meses de 2024, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento foi realizado em parceria com a Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades.
Já as vendas somaram 101.345 mil unidades no trimestre e 312,2 mil no acumulado do ano, avanço de 5% na mesma comparação. No acumulado de 12 meses, o país atingiu 433 mil unidades lançadas, recorde histórico. E o “Minha Casa, Minha Vida” segue como principal motor do setor, 47% dos lançamentos e 44% das vendas do trimestre foram do programa.
Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a maior expansão percentual de lançamentos no terceiro trimestre de 2025, alta de 53,5%, com 7.313 novas unidades. Em números absolutos, o Sudeste lidera, com 59,8 mil lançamentos, 4,3% acima do trimestre anterior. A região Norte foi a única com retração, queda de 34,4%, para 2.757 unidades.
O estudo indica ainda um aumento na intenção de compra, 48% dos entrevistados afirmaram planejar adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, ante 46% no mesmo período de 2024. A geração Z (21 a 28 anos) lidera esse movimento, com 61% de intenção de compra. Entre os baby boomers (61 a 79 anos), o índice é de 25%.
O diretor-sócio da Brain, Fábio Tadeu Araújo, ressalta que a intenção de compra, de maneira geral, está nos melhores patamares da história. “O que significa que a despeito da taxa de juros, a forte empregabilidade e o forte aumento de renda das famílias estão levando as pessoas a se preocuparem mais com o que está acontecendo a si mesma, do que com o conjunto macroeconômico do país”.
Já o economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi), Celso Petrucci, explica que é um crescimento constante do mercado, uma resiliência muito forte, mesmo com a taxa de juros alta. “Para nosso setor, o financiamento para pessoa jurídica é fundamental. Há uma necessidade constante de se aumentar os limites de renda, de descontos e preço final, pois estamos trabalhando com o mesmo preço desde julho de 2023. Para a classe média, a tendência não está boa, mas a expectativa para o ano que vem é melhor”.
“Uma preocupação que temos para 2026, apesar do crescimento, até setembro, é que vamos perder três meses debatendo futebol e eleição, além dos feriados. Por isso, acredito que será um ano complicado, um período de estabilidade com tendência de um pequeno crescimento”, finaliza o economista.
Geração de emprego
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o setor da construção criou 218,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2025. Em setembro, foram 23.855 novas vagas, resultado de 223.799 admissões e 199.944 desligamentos.
O resultado do nono mês do ano foi o melhor desde abril (31.407 vagas) e ficou acima do registrado no mesmo período de 2024 (17.065). Entre os segmentos, a Construção de Edifícios gerou 10.540 empregos, as Obras de Infraestrutura 6.236, e os Serviços Especializados 7.079. Os estados que mais geraram empregos foram São Paulo (50.883), Minas Gerais (20.979) e Bahia (14.609).
Materiais de construção
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), em outubro, o faturamento do setor apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, apresentando queda de 2%. A projeção de fechamento de 2025, apesar de ainda ser positiva, foi revisada para baixo, passando para 0,5%, reflexo do fraco desempenho observado ao longo do ano.
Entre os segmentos, estima-se que o faturamento deflacionado dos materiais básicos tenha diminuído 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto os materiais de acabamento registraram contração de 2,9%. Na comparação com setembro, com ajuste sazonal, as estimativas apontam alta de 0,4% para os básicos e queda de 0,5% para os de acabamento.
O presidente da Abramat, Paulo Engler, afirma que o setor ainda enfrenta desafios importantes. “Contudo, os sinais de estabilização indicam que podemos encerrar o ano com um leve crescimento e um cenário mais positivo para 2026”.



