Mercado imobiliário deve crescer com crédito e programa habitacional

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A criação de uma nova linha de financiamento habitacional pelo governo federal, com teto ampliado de R$ 2,25 milhões, financiamento de até 80% pela Caixa Econômica Federal e uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para entrada ou amortização, deve movimentar o setor da construção civil e aumentar o acesso da classe média ao crédito imobiliário.

Essa iniciativa chega em um momento de recuperação gradual da construção civil, que cresceu 3,2% no segundo trimestre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o Banco Central estima que a nova política possa injetar R$ 111 bilhões no setor somente no primeiro ano.

Para o economista Noé Santiago, o efeito deve ser rápido. “Mais crédito significa mais negócios. Com o teto ampliado e condições acessíveis, o mercado volta a gerar oportunidades para quem quer crescer com responsabilidade”.

Santiago explica que o crédito é o principal motor do setor. “É o termômetro mais sensível do mercado imobiliário. Quando o financiamento flui, o setor inteiro responde. Do corretor ao engenheiro, do incorporador ao fornecedor”.

Além de impulsionar as compras, a nova linha de crédito deve gerar um efeito em cadeia. “Cada imóvel financiado movimenta dezenas de segmentos. Da engenharia à decoração, criando um efeito dominó positivo para a economia. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), cada R$ 1 investido na construção civil gera R$ 1,88 em retorno para a economia, um dos maiores multiplicadores entre todos os setores produtivos”, destaca o economista.

Ainda assim, Noé alerta que a transição até 2027 exigirá atenção. “O momento é de planejamento. Com mais instituições competindo, o empresário que se antecipa pode aproveitar taxas melhores e crédito mais saudável. Mas a execução precisa ser coordenada, com regras claras e liberação efetiva de recursos”.

“Reforma Casa Brasil”

O governo também lançou o “Reforma Casa Brasil”, um programa que destinará R$ 40 bilhões para empréstimos de reformas residenciais, voltado a famílias que desejam melhorar o conforto e a segurança de suas moradias.

De acordo com o advogado especialista em Direito do Consumidor, Stefano Ribeiro Ferri, o programa é positivo, mas exige cautela. “Nem todo crédito do governo é automaticamente vantajoso. É preciso olhar com atenção a taxa de juros, o indexador usado, o custo total da operação e as garantias exigidas”.

As taxas do programa variam de 1,17% ao mês para famílias com renda até R$ 3.200 e 1,95% ao mês para rendas entre R$ 3.200 e R$ 9.600, com parcelas limitadas a 25% da renda familiar. Ferri recomenda cuidado com o orçamento. “O ideal é calcular com base na renda líquida e considerar outras dívidas já existentes. Se o orçamento estiver muito apertado, qualquer imprevisto pode levar à inadimplência. Reformas costumam ter imprevistos que aumentam o custo final”.

O advogado reforça a importância de atenção aos contratos. “O consumidor deve verificar se o contrato contém cláusulas claras sobre juros, correção monetária, garantias e condições de vencimento antecipado. É essencial ler tudo antes da assinatura e exigir cópia integral do documento”, explica.

Ele também alerta para os riscos da expansão do crédito imobiliário. “A elevação dos tetos e a flexibilização do uso do FGTS podem estimular o endividamento das famílias, especialmente se as instituições privadas ampliarem crédito sem análise rigorosa. Há também o risco de desigualdade de acesso, já que consumidores com melhor score tendem a ser privilegiados”.

Estímulo ao setor

Para Santiago, o programa de reformas complementa a nova política habitacional. “Embora o impacto macroeconômico seja menor que o da compra de imóveis, ele gera movimento imediato na base da cadeia, ativando o varejo de materiais, pequenas construtoras e prestadores de serviço. É uma medida com alto potencial social e econômico, desde que venha acompanhada de gestão e fiscalização”.

“O crédito precisa ser usado com responsabilidade. Tanto por quem constrói quanto por quem contrata. Se aplicado com planejamento, o resultado é crescimento sustentável e geração de renda”, finaliza.

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