Mensalidades de berçários e maternais para 2026 na capital variam até 426%

Foto: Freepik.com

O aumento previsto para 2026 nas mensalidades de berçários e maternais particulares de Belo Horizonte acende um alerta para as famílias. Uma pesquisa do site Mercado Mineiro aponta que os preços devem subir significativamente no próximo ano, reforçando uma tendência que já vem sendo observada: o encarecimento contínuo do ensino privado para a primeira infância.

Segundo o estudo, os valores praticados pelos berçários no período integral vão de R$ 920 a R$ 4.841, uma diferença de 426,20% entre a mensalidade mais baixa e a mais alta. Para meio período, os preços vão de R$ 650 a R$ 2.710, variação de 316,92%. Já nos maternais, a pesquisa indica que os turnos da manhã ou tarde custam entre R$ 650 e R$ 3.024,50 (oscilação de 365%), enquanto o período integral deve ficar entre R$ 920 e R$ 4.191,70, diferença de 356%.

As cobranças extras também apresentam variações significativas. No caso do maternal, a taxa de material varia entre R$ 160 e R$ 1.200, uma oscilação de cerca de 650%. O valor do lanche também muda bastante, custando de R$ 55 a R$ 418, o que representa uma variação próxima de 660%.

O levantamento também identificou aumentos ao comparar as médias cobradas em 2025 e 2026. No maternal, o turno da manhã registrou elevação de R$ 1.568,59 para R$ 1.658, o que representa um acréscimo de 5,70%. Já no período da tarde, o valor médio passou de R$ 1.563,49 para R$ 1.675,03, um avanço de 7,13%. Para o horário integral, a média foi de R$ 2.386,97 para R$ 2.584,34, correspondendo a uma alta de 8,27%.

No caso do berçário, o meio período apresentou o reajuste mais expressivo: a mensalidade média aumentou de R$ 1.390,30 para R$ 1.604,18, uma variação de 15,38%. No integral, os valores passaram de R$ 2.260,11 para R$ 2.426,33, crescimento de 7,35%.

Para o economista Marcelo Rangel, a elevação reflete a soma de múltiplos fatores. “O ensino infantil é um dos segmentos mais caros para manter porque exige alta proporção de profissionais por criança, estrutura adequada, alimentação balanceada, materiais pedagógicos específicos e cumprimento rigoroso de normas de segurança. Com a inflação de serviços pressionando todos esses custos, as escolas não conseguem segurar os reajustes”.

Ele destaca ainda que Belo Horizonte tem um mercado muito heterogêneo, com escolas de pequeno, médio e grande porte convivendo na mesma região, o que explica parte das variações expressivas. “Uma escola de bairro, com equipe reduzida, cobra valores completamente diferentes de uma instituição bilíngue que oferece alimentação completa, monitoramento por câmeras e atividades extras. Isso cria uma disparidade que assusta, mas que faz parte da estrutura de oferta atual”.

O impacto desse aumento é significativo para muitos pais, sobretudo aqueles que dependem do período integral para conciliar a rotina de trabalho. “Eles precisam agir com meses de antecedência. Visitar escolas, comparar preços, analisar o que está incluso e, principalmente, verificar taxas extras. Às vezes, o valor da mensalidade é apenas parte do custo anual, que pode incluir matrícula alta, material escolar, refeições e atividades extras”.

Rangel sugere que as famílias considerem alternativas que não envolvem necessariamente os estabelecimentos mais caros. “Escolas menores oferecem excelente qualidade e preços acessíveis. Além disso, vale verificar instituições cooperativas ou centros educacionais comunitários credenciados, que têm custos mais baixos, mas boa estrutura”.

Outro ponto citado pelos especialistas é a possibilidade de negociar condições. O consultor financeiro Guilherme Ferraz explica que algumas instituições estão abertas a conversar, especialmente para contratos anuais ou pagamento antecipado. “Algumas escolas dão abatimentos progressivos, descontos para irmãos ou isentam taxas para fidelização. Transparência e diálogo ajudam os pais a não serem pegos de surpresa”.

A expectativa é de que o cenário siga pressionado ao longo de 2026, especialmente em bairros onde a oferta é reduzida ou em regiões no qual o perfil socioeconômico é mais alto. Na visão de Ferraz, o desafio será equilibrar o orçamento familiar sem abrir mão da qualidade. “Educação infantil não é gasto, mas sim investimento. Para evitar o endividamento, as famílias devem buscar opções compatíveis com sua renda e lembrar que qualidade não é sinônimo de luxo”.

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