Memorialistas ilustres

Existem no Brasil muitos profissionais de diversas atribuições que se tornaram ou são memorialistas de uma outra prateleira, principalmente no jornalismo. Nessa categoria, além de nos manter informados em todos os níveis, escrevem sobre o seu tempo e transformam o passado em relíquia de agradável leitura.

Entre os grandes memorialistas, lembremo-nos do maior deles, o mineiro Pedro Nava (1903/1984), médico nascido em Juiz de Fora, um dos poucos não-juristas a assinar o Manifesto dos Mineiros, em 1930. Das oito obras, Baú dos ossos, 1972, é sem dúvida o melhor livro de memórias lançado no país. Rachel de Queiroz (1910/2003), cearense de Fortaleza, é a pioneira feminina do jornalismo; começou na adolescência, no jornal O Ceará, e em 1953 no O Estado de S. Paulo, e foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977. Publicou “O Quinze”, 1930, referência de obra regionalista, e Tantos Anos, 1998, em parceria com a irmã Maria Luíza. Ricardo Boechat (1952/2019) nasceu em Buenos Aires, mas adotou o Brasil; foi eleito o jornalista mais admirado do país por três anos, 2016/2018, e foi um dos mais importantes profissionais da imprensa brasileira. O talentoso mineiro Pedro Rogério Moreira (1946), da Academia Mineira de Letras, com belas obras, destaque para A vida misteriosa dos gatos, considerado um dos melhores escritos brasileiros do gênero.

A homenagem especial é para o músico, advogado, jornalista, escritor e memorialista Abelardo Jurema Filho. Carioca de 1952, filho do advogado e jornalista Abelardo Araújo Jurema (1914/1999) e da Sra. Maria Evanise Pessoa Jurema (1922/2014); o pai foi o renomado ministro da Justiça do governo João Goulart, prefeito de João Pessoa e de Itabaiana, deputado federal e senador. Pelo lado materno é sobrinho de João Pessoa e sobrinho-neto do grande presidente Epitácio Pessoa, o único oriundo da Paraíba. Epitácio revogou, em 3 de setembro de 1920, a Lei do Banimento da família imperial (Decreto n. 78-A, 21 de dezembro de 1889), pelo Decreto n. 4.120, uma correção histórica que marcou o fim do banimento.

Abelardo Filho ocupa a Cadeira n. 12, patrono João Coelho Gonçalves Lisboa, da Academia Paraibana de Letras, e é membro do Instituto Histórico Paraibano. É o maior colunista do Norte/Nordeste e completa este ano 50 anos de sua prestigiadíssima e memorável coluna “Abelardo Jurema – Todo mundo lê”; também é colaborador e articulista de “Opinião” do conhecido jornal A União, com 133 anos. Trabalhou no Rio no Jornal do Brasil, e ainda jovem, optou por voltar às raízes da família, a Paraíba, a João Pessoa, estado e capital que pulsam fortemente como maior inspiração de sua vida. Faz o programa de entrevistas de sucesso na TV Master, canal 520, também no canal 20, com cobertura para os 223 municípios da Paraíba. Escreveu inúmeros artigos de alto valor estético e histórico para jornais e revistas, e publicou vários livros, entre eles Paraíba sim senhor – Homens e mulheres que constroem a Paraíba no século XXI, e o inolvidável Cesário Alvim, 27 – Histórias do filho de um exilado. Cesário Alvim é o nome da rua onde a família morou no Rio, quando o pai, lamentavelmente, teve que amargar o exílio no Peru no início do governo militar/civil.

Abelardo Jurema Filho é casado com Maria Lúcia Bezerra Jurema e têm três filhos: João Luiz, João Paulo e Abelardo. É um ser iluminado, intelectual e um diplomata nato. Foi vereador em João Pessoa de 1982 a 1986 e é o presidente imediato da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet/PB). Esteve várias vezes em Minas, onde aprecia e tem o maior gosto pela nossa Belo Horizonte, pelas Gerais e pelo nosso povo. Aos memorialistas rendemos nossas homenagens na pessoa do amigo jornalista e memorialista Abelardo Jurema Filho.

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