A grande preocupação da nova diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é com a situação financeira dos clubes. Em geral, todos fazem altos investimentos sem a devida geração de receitas para cobrir tais custos, provocando déficit a cada ano. Com isso, a montanha de dívidas só aumenta de forma incontrolável.
O pontapé inicial para estudar e tentar estancar a gravidade da situação foi dado pelo presidente da entidade, Samir Xaud. Um grupo de trabalho foi criado sob o comando de Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, ex-presidente da Federação Paranaense e com larga experiência no segmento esportivo. Helder Melillo, diretor da entidade, foi escolhido relator do projeto.
Este grupo tem adesão da maioria dos clubes das Séries A e B e de várias federações. A ideia é coletar o máximo de sugestões, tanto dos integrantes do mundo do futebol, como de especialistas em gestão e finanças. Ficou determinado que o grupo tem até meados de novembro para apresentar os primeiros resultados para o projeto do chamado Fair Play Financeiro.
O ponto de partida será o modelo adotado na Europa pela União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e por outros países. É algo já experimentado e com alguns ajustes pode ser um bom início. A princípio, segundo algumas fontes que consultamos, a proposta básica não pretende estabelecer teto para investimentos, mas colocar travas para gastos com percentuais de acordo com a receita. Simplificando, não permitir gastar mais do que arrecada. Os aportes de dinheiro dos donos ou sócios das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) merecem um capítulo especial. Do jeito que vem funcionando causa pouca transparência e muita ilusão.
Esse chamado Fair Play Financeiro vai estabelecer também várias punições. Multas financeiras, restrição para inscrição de atletas, perda de pontos, descontos nos valores das premiações e até desclassificação de competições. O interessante do projeto é que os próprios dirigentes das federações sonham com uma boa solução para o drama. A bola de neve cresce a cada dia e as dívidas ultrapassam a casa dos bilhões. A galinha dos ovos de ouro está ficando fraca e adoentada. Se não for cuidada com responsabilidade, vai acabar morrendo.
Vamos ficar atentos, aguardando os próximos passos do tal grupo de trabalho para sentir os avanços ou não da iniciativa. Acredito na boa evolução, mesmo porque, não tem outra saída.
Enquanto isso, a CBF vai mexendo na sua arcaica estrutura. Pretende alterar o calendário, diminuir os regionais, aumentar o número de times na Série D e ampliar a Copa do Brasil. Além disso, maior incentivo para o futebol feminino, que vem crescendo, e bons programas para as categorias de base estão na pauta. Tudo bem encaminhado.
Internamente, a CBF também mexe no seu time. Novos e bons profissionais vêm sendo contratados para renovar a gestão das competições, da comercialização de patrocínios e produtos, da tecnologia, da comunicação e de outras áreas.
A venda dos direitos de transmissão dos seus eventos também sofre profunda agitação. Vai acabando a exclusividade e quem tem bala pode comprar pacotes variados, tanto as emissoras tradicionais como os canais digitais. Bom para o torcedor que pode escolher onde deseja assistir aos jogos, e excelente para os bons profissionais da imprensa esportiva.
O mercado vem crescendo, pena que temos vários piratas no meio, transmitindo imagens dos jogos via internet, terra que parece sem dono. Transmitem sem prévia autorização, pagamento dos direitos e impostos, passando por cima das leis trabalhistas e das leis que regulam o trabalho dos verdadeiros profissionais de imprensa, causando prejuízo para todos. Uma situação que as autoridades competentes precisam entrar firme, cuidar e resolver. Enquanto isso, olho vivo e mão no bolso.



