
Com a virada do ano, muitas famílias enfrentam um velho desafio: a concentração de despesas em janeiro e fevereiro, que inclui tributos e compromissos previsíveis, mas que, sem preparo, transformam o orçamento em fonte de estresse. Em Minas Gerais, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 terá início de pagamento em 9 de fevereiro, com possibilidade de antecipação a partir de 2 de janeiro e desconto na cota única.
No caso do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Belo Horizonte, a primeira cota vence em 30 de janeiro, com opção de guia com desconto de 7% até esta data. O contribuinte também pode pagar o imposto em até 11 prestações mensais e consecutivas, com vencimento até o dia 15 de cada mês, seguindo até dezembro.
Para o consultor de finanças e carreira, Robson Profeta, o problema não é o gasto em si, mas a ordem das decisões. “Essas contas não aparecem de repente. Elas têm data, valor aproximado e já fazem parte da rotina das famílias. Quando não há planejamento, compromissos como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar se acumulam e geram necessidade de crédito caro como cartão de crédito ou cheque especial”.
“Quando as pessoas priorizam consumo e deixam obrigações previsíveis para depois, acabam pagando juros para resolver algo que poderia ter sido planejado com antecedência. Gerenciar bem as finanças pessoais não exige soluções complexas, mas sim previsibilidade e disciplina”, acrescenta.
Dicas do especialista
Antecipar despesas fixas: usar parte do 13º salário para reservar recursos para IPVA, IPTU e matrículas ainda no final do ano anterior. “A quantia deveria funcionar como um amortecedor financeiro para as despesas que já estavam no horizonte”, pontua.
Evitar créditos caros: sempre que possível, evitar o uso de crédito rotativo ou parcelamento de fatura, que têm juros entre os mais altos do mercado, comprometendo o orçamento ao longo dos meses seguintes.
Organizar o fluxo de caixa: registrar entradas e saídas e projetar os próximos meses para visualizar compromissos e ajustar metas.
Pagamento à vista: quando existe uma reserva financeira, quitar antecipadamente pode trazer alívio e evitar custos adicionais com juros. “Mas se comprometer reservas de emergência ou afetar o equilíbrio financeiro dos meses seguintes, pode ser melhor optar por parcelamentos com taxas menores”.
Acompanhamento contínuo
Para não repetir o ciclo de apertos no próximo janeiro, o consultor enfatiza a importância do acompanhamento contínuo ao longo do ano. Registrar despesas, revisar metas e construir reservas gradualmente ajuda a lidar com imprevistos e evita escolhas impulsivas. “Quando a pessoa entende o calendário financeiro do próprio ano, deixa de ser refém das contas e passa a ter controle”, finaliza.
Chegar organizado a 2027 exigirá olhar para além do primeiro mês do ano. Isso porque a educação financeira deve ser incorporada como hábito, com foco em disciplina e regras claras para uso de recursos extraordinários como o 13º salário, assim como atenção às datas de vencimento de tributos e serviços.



