Itens da ceia têm valores distintos e exigem atenção do consumidor

Peru é um dos produtos que ficou caro / Foto: Freepik.com

Os preços dos produtos natalinos em Belo Horizonte chegaram às prateleiras com comportamento dividido em 2025. Enquanto parte dos itens tradicionais ficou mais em conta em relação ao ano passado, outros, justamente os mais procurados para a ceia, apresentaram altas expressivas e prometem pesar no bolso do consumidor. No levantamento realizado pelos sites Mercado Mineiro e comOferta foram identificadas variações que ultrapassam 200% entre estabelecimentos da capital.

Por exemplo, o bacalhau Saithe pode ser encontrado de R$ 49,80 a R$ 149,80. Panetones industrializados também registram diferenças que chegam a 43%, dependendo da marca e do local de compra. No caso do peru, outro item tradicional da ceia, a pesquisa encontrou diferenças que atingem até 37,03% entre as marcas analisadas.

Segundo o diretor do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, oscilações tão amplas não são novidade, mas reforçam a necessidade de atenção por parte do consumidor. “As variações são grandes, porque são produtos típicos e a gente tende a ter diferenças superiores a 100%. No caso do bacalhau Saithe a diferença chega a 200%, muito em função da espessura da carne”.

A pesquisa também mostra que castanhas, amêndoas, nozes e frutas cristalizadas permanecem entre os produtos mais caros da mesa festiva. “Este Natal, se for de produtos bem tradicionais, vai ser caro. Mas, se o consumidor optar por uma ceia mais tropical, com frutas, é possível organizar algo mais acessível”, aponta Abreu.

Queda em 14 itens

Outro estudo, desta vez realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/ UFMG), confirma que 14 dos 26 produtos monitorados tiveram redução de preço em relação a 2024, com destaque para azeite de oliva (-21,16%), lombo suíno (-11,16%), gelatina (-7,3%) e panetone de frutas (-4,6%). No entanto, os itens que aumentaram de preço registraram altas muito mais intensas.

De acordo com o gerente de pesquisas do instituto, Eduardo Antunes, o contraste ocorre porque a intensidade das altas foi muito maior que a das quedas. “Os produtos que subiram tiveram média de +13,32%, enquanto os que caíram recuaram apenas –5,59%. Ou seja, o volume de itens em queda até é maior, mas o peso das altas é muito mais significativo”.

Além disso, nove produtos subiram acima do IPCA de Belo Horizonte, acumulado em 4,74% no período de 12 meses. Entre os que mais encareceram estão azeitona verde (+25%), uva passa escura (+24,4%), doce de pêssego (+22,8%) e balas mastigáveis (+23,9%).

Sobre a expressiva redução no preço do azeite, Antunes esclarece que houve recomposição de oferta internacional. “Não é uma promoção pontual. Houve um ajuste de oferta global somado a condições locais favoráveis. A tendência é de preços mais baixos até meados de 2026, salvo novos choques climáticos”.

Como economizar

Embora o período pré-Natal costume pressionar o custo dos alimentos, Abreu avalia que alguns itens podem sofrer reduções próximas ao feriado. “A chegada da data gera desespero no varejo. O comerciante não quer ficar estocado de nozes, panetone e peru em fevereiro. Então é comum que ocorram promoções na segunda quinzena de dezembro, mas não na última hora”.

Para Antunes, planejamento é a chave para uma ceia equilibrada. “Substituir produtos caros, aproveitar quedas fortes, reduzir o consumo de peru e espumante, comprar com antecedência e fazer lista ponderada são caminhos”.

“A recomendação é pesquisar muito. Não deixar para a última hora para evitar produtos de qualidade ruim ou preços altos. E, principalmente, não se endividar para comemorar, porque o cenário econômico não permite”, conclui Abreu.

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