Às vezes, a modernidade é um saco, principalmente para aqueles que chegaram à terceira idade. Nessa fase da vida, mesmo tentando acompanhar o ritmo das mudanças, sempre encontramos desafios. É o caso dos avanços tecnológicos. Hoje, tudo que você quer fazer ou pensa em fazer, pode se realizar (ou não) na palma da mão, nos teclados de um celular. Tudo em um piscar de olhos para quem enxerga bem. Comprar bebida, pedir um táxi, Uber, pagar contas, pedir pizza ou sanduíches, comprar ingressos para shows, cinemas e futebol, tudo bem na palma da mão. Mas, para tratar de assuntos bancários, nem tudo são flores.
Inventaram um “monte” de Alexas que prometem solucionar o máximo de seus problemas, mas só prometem. Imagina eu, um quase completo analfabeto digital, que quase entro em guerra contra aquele maldito painel das lojas do McDonald’s para comprar um simples sanduíche, tentando resolver minha vida financeira com uma máquina que insiste em saber se pode me ajudar. Foi uma quinzena de luta. Muita raiva e poucas soluções. Caí na esparrela de tentar um empréstimo on-line em um banco, coisa rápida, dois minutos. Não consegui e ainda abri um leque de perseguidores insaciáveis, famintos com o meu desespero na busca por dinheiro.
Recebi e ainda continuo recebendo mensagens de ofertas já com todos meus dados disponíveis. Pode isso? Recebi uma proposta na qual me emprestariam R$ 6 mil parcelados em 60 meses. Pasmem! A soma total das parcelas era inferior ao total emprestado, mas me cobravam uma taxa para liberar o dinheiro. Golpe! Inúmeras ofertas de golpes e mais golpes. Sem nenhuma fiscalização das redes sociais e muita gente caindo nessa coisa. Mas e a resposta do banco procurado? Nada, só a mesma vozinha chata da atendente virtual.
Nunca senti tanta saudade do tempo em que tratávamos tudo olho no olho com o nosso gerente. Tempo bom. Ele entendia nosso drama. Você entrava na agência, chegava no gerente e falava baixinho: quebra meu galho? Ele entendia na hora, mesmo a frase tendo vários significados: segura meu cheque; aumenta meu especial; quero um empréstimo; libera meu cartão; adianta meu pagamento. Um tempo bom que não volta mais. Os gerentes realmente conheciam seus clientes. Saudade do Aggeo Pio do BrB. Era o cara. Tinha uma redação inteira como clientes. Quase todos verdadeiros exploradores de novos negócios financeiros. Mas ele atendia a todos e solucionava todos os “pepinos”. Era nosso consultor.
Mas voltando ao meu drama, resolvi ir à minha agência. Sou cliente do Itaú há mais de 15 anos. Aliás, sou um nômade pelas agências. Comecei na Savassi, fui transferido para a Praça da Liberdade. Fui para a Cidade Administrativa, depois para a Rodovia, para Confins, depois para o Shopping Estação e agora descobri que estou na Avenida Vilarinho. Estou a mais de 9 quilômetros de minha casa. Mas fui lá. Que coisa! Que horror! Enfrentei quarenta minutos em uma fila repleta de pessoas da terceira idade, alguns preferem chamar de melhor idade. Depois, mais dez minutos para tirar uma senha, já que o equipamento estava com defeito. Funcionários com uma aparência esgotada, mesmo sendo dez e meia da manhã. E então, finalmente conheci a gerente da minha conta. Apesar da boa vontade, não conversamos muito. Ela não tinha acesso às minhas informações por problemas com a internet. Prometeu me ligar quando pudesse. Saí de lá derrotado. Senti que eu não só dependo, mas sou um prisioneiro de minhas decisões financeiras. O Itaú foi tão bom para mim que hoje não consigo sair dele nem que eu queira. Só se pagar o que devo e não é pouco. Sou um personagem de um roteiro do dono do banco que também é um cineasta. Lembro sempre ao Itaú que “eu ainda estou aqui”! Continuo pagando o que devo, mas a atendente virtual não consegue entender o meu pedido: quebra meu galho? E nem a gerente me liga!
Pitaco 1: Neste final de semana, o Bar do Bolão fechará suas portas na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza. Durante muitos anos, o Bar Rocha e Filhos foi vizinho da minha família. Por inúmeras noites, garçons ou o próprio Bolão, meu amigo pessoal, bateu na janela do quarto de minha mãe pedindo um baldinho de gelo para atender um cliente mais especial que só tomava bebidas em dose. Então, como homenagem, vou lá tomar a saideira. Gostaria muito que fosse com o meu amigo Bolãozinho.
Pitaco 2: O local onde o bar funcionou por 60 anos foi a oficina de bicicletas do Corino. Ele alugava as magrelas velhas recuperadas e ensinou a toda uma geração a andar de bike. Foi também o ponto de venda do pudim do seu Osvaldo, nos fins de tarde da pracinha. Bons tempos!



