Investimento viário gera crescimento

PIB do setor alcançou R$ 395,67 bilhões em 2025 – Foto: Pixabay

Os investimentos em infraestrutura rodoviária têm potencial para gerar efeitos relevantes na economia brasileira. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que cada R$ 1 aplicado pelo setor privado pode gerar até R$ 4,77 no Produto Interno Bruto (PIB) do transporte em até nove meses, enquanto o investimento público federal alcança R$ 4,64 em cerca de 18 meses.

No curto prazo, os impactos também são expressivos. A cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresce R$ 2,58 no mesmo trimestre. Já o aporte público tem efeito imediato menor, de R$ 0,61 por real aplicado.

Segundo a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, esse desempenho está ligado ao papel estruturante da logística. “Os investimentos ampliam a capacidade de escoamento da produção, reduzem custos e elevam a produtividade ao melhorar o tempo de deslocamento e a confiabilidade das operações. Como o transporte é uma demanda derivada, esses ganhos se espalham rapidamente por toda a economia”.

Ela acrescenta que o capital privado tende a apresentar resultados mais rápidos por concentrar aportes contínuos e intensivos, sobretudo no início dos contratos. “Entre 2016 e 2025, os investimentos privados em rodovias somaram R$ 127,22 bilhões, enquanto os públicos federais chegaram a R$ 110,41 bilhões, com maior volatilidade. Por quilômetro, as concessionárias aplicaram de três a quatro vezes mais, o que se reflete nos ganhos do PIB do transporte”.

Impactos no setor

Na prática, os efeitos são percebidos diretamente pelas empresas. De acordo com o diretor da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Adalcir Lopes, a melhoria das rodovias eleva a eficiência operacional.

“Rodovias em boas condições aumentam a velocidade média das viagens, reduzem paradas não planejadas e melhoram a fluidez do tráfego. Isso amplia a disponibilidade da frota, otimiza o uso dos motoristas e eleva o número de viagens, gerando ganhos concretos de produtividade e mais confiabilidade nas operações”.

Lopes destaca que o reflexo também aparece no frete. “Uma estrada conservada reduz o consumo de combustível, o desgaste de pneus e freios e os custos de manutenção, além de minimizar riscos de avarias. Isso resulta em queda no custo do frete, sobretudo em rotas estratégicas que ligam Minas a polos industriais e ao agronegócio”.

Efeitos na economia

Os reflexos vão além do transporte e atingem toda a atividade econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a infraestrutura logística tem caráter transversal. “O investimento em rodovias expande o transporte, reduz gargalos e melhora a fluidez da produção. Isso amplia oportunidades de negócios, gera emprego, renda e impulsiona o crescimento do PIB”.

Ele destaca também que esses aportes funcionam como indutores do crescimento. “Ao reduzir custos e elevar a eficiência, aumentam a competitividade da economia e criam condições para investimentos produtivos”.

Outro efeito relevante apontado por Pereira é sobre a inflação. “Uma logística mais eficiente reduz custos operacionais. Como o modal rodoviário responde por mais de 60% das cargas, isso impacta diretamente o preço do frete e, consequentemente, de alimentos e combustíveis. Investir em infraestrutura é uma medida estrutural importante para conter a inflação”, explica.

Apesar dos benefícios, o país ainda investe pouco em transporte. Em 2025, os investimentos na economia brasileira cresceram apenas 2,9%, e a participação no PIB ficou em 16,8%, abaixo da média histórica de 17,9% registrada entre 1996 e 2025. Para a CNT, o avanço depende de uma estratégia combinada. “As concessões ampliam a capacidade de investimento e a eficiência da gestão, mas não substituem o papel do Estado, essencial no planejamento e na viabilização de projetos”, conclui Fernanda.

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