
Segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias atingiu R$ 69,9 bilhões em faturamento no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 14,2%. Fatores positivos da economia, tais como a elevada taxa de emprego e o aumento da massa salarial, explicam esse avanço.
Os segmentos que mais se destacaram foram: Alimentação – Comercialização e Distribuição (+44,0%), impulsionado pela sazonalidade da Páscoa, com o aumento no consumo de chocolates e maior procura por produtos de alto valor agregado. O fortalecimento dos mercados autônomos, lojas de conveniência, cafeterias também contribuíram para esse resultado; Entretenimento e Lazer (+15,7%) beneficiado pelo aumento da renda real das famílias, pela mudança de comportamento gerada no pós-pandemia, pelo avanço de experiências digitais e imersivas e atividades indoor.
Além do segmento de Limpeza e Conservação (+15,4%), impulsionado pelo aumento do serviço de lavanderias de autoatendimento, impactada com a redução no espaço das moradias, queda na mão de obra doméstica, entre outros fatores comportamentais das populações mais jovens. Na sequência, também se destacaram: Alimentação Food Service (14,2%), Saúde, Beleza e Bem-Estar (12,5%), Serviços e Outros Negócios (11,5%), Moda e Serviços Automotivos (11,4%).
“O resultado do trimestre mostra mais uma vez o dinamismo e a constante evolução do franchising no Brasil. O setor de franquias tem alta capacidade de transformar ideias em negócios e promover o crescimento coletivo, contribuindo significativamente para o desenvolvimento socioeconômico do país”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF.
Para o economista Bruno Corano, o crescimento do setor não é sustentável a longo prazo. “Porém, o avanço do franchising vem de forma constante nesses últimos 40 anos e vai seguir crescendo, porque é uma tendência normal, com a diminuição de lojas de negócios familiares. Isso é o que diferencia uma economia provinciana de uma economia mais madura”.
Corano afirma que o setor não tem nenhum risco diretamente. “O maior seria a economia. A indústria do franchising é um reflexo de como está o consumo e a economia do país. Em geral, o desempenho do setor cresce mais do que outros segmentos do varejo. Historicamente, avança 30% mais quando comparado a outras referências”.
200 mil operações
Ainda segundo o estudo, o setor de franquias brasileiro ultrapassou o número de 200 mil operações em funcionamento, com incremento de 7.449 frente ao mesmo período do ano passado. Comparando as aberturas e fechamentos, o saldo também é positivo, de +2,3%. Já o número de trabalhadores diretos no segmento é da ordem de 1,745 milhão no trimestre.
Os multifranqueados (empresários donos de duas ou mais operações mono ou multimarca) continuam em ascensão nas empresas franqueadoras. Conforme a pesquisa, 88% das marcas respondentes contam com multifranqueados em suas redes. Chama atenção, o crescimento da participação de franqueados multimarcas, que saltaram de 51% para 62%.
O economista destaca que o franchising traz vários benefícios, tanto para o empreendedor quanto para o consumidor. “Para o consumidor, o benefício principal é a referência. Do momento em que ele conhece uma marca e que tem múltiplas lojas, já sabe o que esperar. E, do lado do empreendedor, ele recebe a inteligência de uma empresa franqueadora que pensa em inúmeras coisas que sozinho teria mais dificuldade, como desenvolvimento de produto, estratégia e posicionamento de marca. Isso faz a indústria crescer”.
Uma política pública, dentro dos critérios, que ajudaria o desenvolvimento do setor seria algo do tipo do Small Business Administration (SBA), ressalta Corano. “É uma instituição parecida com o Sebrae, nos Estados Unidos, só que é muito maior e é do governo. Tem recursos e financia o empreendedor que deseja abrir um negócio, não só uma franquia. O SBA financia mais de 90% do investimento com prazos longos e juros ainda mais baixos do que os habituais do Brasil”, finaliza.



